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Irã muda foco e mira radares e hotéis usados por tropas americanas na guerra

Fumaça na Embaixada dos EUA na Cidade do Kuwait após ataque iraniano. Foto: AFP

O Exército do Irã está ajustando suas táticas de guerra no Oriente Médio, respondendo aos bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e Israel com ataques que miram sistemas de defesa aérea, comunicação e radares americanos, além de instalações ligadas à presença militar americana, como hotéis que hospedam tropas, segundo autoridades e especialistas militares.

A mudança de foco ocorre mesmo com o governo de Donald Trump insistindo que os EUA estariam vencendo o conflito. Milícias apoiadas pelo Irã lançaram ataques com drones contra hotéis usados por tropas americanas no Iraque, como um ataque em Erbil que demonstrou que o Irã sabia da presença do Pentágono na região.

Apesar as mudanças, um alto oficial americano afirmou ao New York Times que o Irã reconhece que não pode competir diretamente com os EUA e Israel em poder de fogo, mas busca sobreviver à ofensiva para reivindicar vitória política.

Desde o início da guerra, sete soldados americanos morreram e 140 ficaram feridos, com 108 já retornando ao serviço. Autoridades iranianas, por sua vez, afirmam que cerca de 1.300 pessoas foram mortas em ataques de Estados Unidos e Israel.

Base Aérea de Al Udeid, no Catar, que abriga militares dos EUA. Foto: Mahmud Hams/AFP

Em conflitos anteriores, como a guerra de 12 dias entre Estados Unidos, Israel e Irã, os EUA gastaram grande parte de seu estoque de interceptadores de defesa aérea, incluindo mísseis THAAD e SM‑3. O Irã aprendeu com esses confrontos, identificando “capacidades defensivas” americanas vulneráveis que poderia explorar agora.

O general Dan Caine, chefe do Estado‑Maior Conjunto dos EUA, reconheceu que os militares iranianos mudaram suas táticas, afirmando que “nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo”. Caine preferiu não detalhar como o Irã está mudando suas abordagens, por razões de segurança operacional, mas indicou que as ações refletiam adaptação às capacidades americanas.

Ao longo dos últimos dias, o Irã atingiu sistemas sofisticados de radar, incluindo o AN/FPS‑132 em Al Udeid, crucial para rastreamento de alvos múltiplos, e um radar TPY‑2 ligado a sistemas THAAD na Jordânia, prejudicando a capacidade de defesa antimísseis americana.

O país também atacou bases como Camp Arifjan e Ali Al Salem, atingindo infraestrutura de comunicação e radar, o que indica uma tentativa clara de interromper a capacidade de coordenação dos EUA na região.