
O presidente Lula afirmou que proibiu a entrada no Brasil do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos Darren Beattie enquanto o visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estiver bloqueado. A declaração foi feita durante evento no Rio de Janeiro, ao comentar a visita que o representante do governo Donald Trump pretendia fazer ao país.
Beattie tinha viagem marcada ao Brasil e queria visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso, mas a reunião foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula disse que decidiu impedir a entrada do assessor americano como resposta à decisão do governo dos Estados Unidos de manter restrições contra Padilha.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar, e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado”, afirmou. A fala ocorreu ao lado de Padilha, durante inauguração de uma ala hospitalar.
O visto do ministro foi revogado pelo governo Donald Trump em 2025, junto com o de familiares, sob a alegação de envolvimento com o Mais Médicos, que trouxe profissionais cubanos ao Brasil. O governo americano afirmou na época que o programa estaria ligado a trabalho forçado, acusação rejeitada pelo Palácio do Planalto.
Lula revogou visto do Darren Beattie, assessor sênior de Trump:
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proíbo de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado” pic.twitter.com/eZdrADvqij
— Pri (@Pri_usabr1) March 13, 2026
Moraes vetou a visita de Beattie a Bolsonaro por risco de ingerência em assuntos internos no Brasil. Ele havia autorizado o encontro na última terça (10), mas voltou atrás após pedido do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
“A realização da visita de Darren Beattie não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro”, escreveu Moraes na decisão.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado autorização para a visita alegando que o secretário de Trump teria agendas no Brasil neste mês. O Itamaraty, no entanto, afirmou que o governo não foi comunicado previamente que a viagem incluiria uma visita ao ex-presidente.
A pasta relatou que o Departamento de Estado citou apenas uma conferência sobre minerais críticos e reuniões com representantes do governo brasileiro. “[Tal pedido jamais] tramitou pelo Ministério das Relações Exteriores ou foi sequer objeto de comunicação destinada a este Ministério”, escreveu o ministro.
Vieira ainda disse que a visita de um representante do governo americano a um ex-presidente em ano eleitoral poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

Paulo Figueiredo, Darren Beattie e Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução
Antes da manifestação da pasta, Moraes já havia mandado o Itamaraty monitorar Beattie no país. O assessor de Trump já fez diversos ataques ao governo brasileiro e ao próprio magistrado, dizendo que ele seria “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”.
Beattie é estrategista político, ativista de extrema-direita e próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ele já havia sido demitido do governo americano em 2018, durante a primeira gestão de Trump, por ligações com um grupo de supremacistas brancos.