
Ministros do governo Lula afirmaram nos bastidores que sentiram “cheiro de acordão” após a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que passou mal no presídio da Papudinha e foi levado para um hospital em Brasília. A avaliação entre auxiliares do Planalto é de que a transferência pode abrir caminho para uma mudança no regime de prisão, segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles.
A suspeita é de que a ida ao hospital faça parte de um entendimento que poderia resultar na concessão de prisão domiciliar. Segundo integrantes do governo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está sob pressão política e poderia buscar uma solução que reduzisse o desgaste envolvendo o caso.
Os ministros lembram que a internação foi divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais ainda no início da manhã. Pouco depois, o advogado Paulo Bueno, que integra a defesa do ex-presidente, voltou a pedir publicamente a transferência para prisão domiciliar.
Auxiliares do governo consideram que a proximidade entre os fatos reforçou a desconfiança. Na avaliação interna, Moraes poderia ter interesse em aliviar a tensão política em torno do Supremo, especialmente diante da repercussão do Caso Master.

Bolsonaro foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star após apresentar piora no estado de saúde. O boletim médico informou que ele foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral e iniciou tratamento com antibióticos intravenosos e acompanhamento intensivo.
Segundo os médicos, o ex-presidente apresentou febre alta, calafrios, sudorese, vômitos e falta de ar durante a noite. Ele estava preso em sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, quando houve agravamento do quadro clínico.
O comunicado do hospital informou que “foi submetido a exames de imagens e laboratoriais que confirmaram broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. No momento encontra-se internado em unidade de terapia intensiva, em tratamento com antibioticoterapia venosa e suporte clínico não invasivo”.