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Caso Master: Vorcaro troca de advogado e sinaliza delação premiada

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser defendido por um novo advogado, movimento que, segundo interlocutores, indica a possibilidade de negociação de delação premiada no caso envolvendo o Banco Master. A mudança ocorreu após o escritório Bottini & Tamasauskas deixar a defesa alegando motivos pessoais. Com informações de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

A procuração foi subestabelecida para o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido por atuar em acordos de colaboração em investigações de grande repercussão. Ele já conduziu delações como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, durante a Operação Lava Jato, e também atuou na defesa do ex-ministro José Dirceu no processo do mensalão.

Oliveira Lima também representou o general Braga Netto em investigação relacionada à tentativa de golpe de Estado e já prestava serviços ao Banco Master antes da liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro do ano passado. A entrada do advogado reforçou a avaliação de que Vorcaro pode buscar acordo com a Justiça.

O advogado José Luis Oliveira Lima, novo representante de Daniel Vorcaro. Reprodução

O ex-banqueiro foi preso novamente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob o entendimento de que teria descumprido medidas cautelares impostas anteriormente. Entre as restrições estavam o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar a cidade de São Paulo.

Segundo a decisão, mensagens encontradas pela Polícia Federal indicariam que o empresário manteve contatos para contratar influenciadores com o objetivo de criticar o Banco Central e outras instituições. O material também apontaria tentativas de intimidar pessoas consideradas adversárias.

Em conversas analisadas pelos investigadores, Vorcaro teria citado a existência de uma estrutura privada para pressionar desafetos. Em uma das mensagens, ele afirma ser preciso “moer essa vagabunda”, em referência a uma funcionária. Em outro trecho, menciona a possibilidade de agressão contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Vorcaro já havia sido preso no momento da liquidação do Banco Master, mas foi solto posteriormente com restrições. A nova ordem de prisão foi mantida pela Segunda Turma do STF, o que aumentou a expectativa de que a defesa passe a negociar colaboração premiada para reduzir a pena.