Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Antes da prisão de Vorcaro, advogado do banqueiro disse que iria “infernizar” juiz

banqueiro Daniel Vorcaro em pé, sorrindo
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução

O advogado Walfrido Warde, que representava o banqueiro Daniel Vorcaro até o início de 2025, entrou em contato com o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, horas antes da decretação da prisão do empresário, em 17 de novembro de 2025. A informação consta em reportagem do jornal O Estado de São Paulo.

Segundo a publicação, Warde enviou ao banqueiro um print de uma conversa com o magistrado. Na mensagem encaminhada a Vorcaro, o advogado escreveu: “Estamos infernizando o cara”. O conteúdo aparece entre materiais analisados pela Polícia Federal no curso das investigações.

Trechos de relatório da PF citados pela reportagem indicam que conversas e arquivos encontrados no celular do banqueiro mencionam a possibilidade de Vorcaro ter tido “conhecimento prévio da futura operação policial”. Os dados fazem parte da investigação sobre o Banco Master.

O advogado Walfrido Warde afirmou que atuou na defesa do empresário “absolutamente dentro da lei”. Ele declarou ainda que “jamais participou de atos de obtenção de dados cobertos pelo sigilo legal ou policial”.

O advogado Walfrido Warde, ex-defensor de Daniel Vorcaro. Reprodução

Um mês antes da primeira prisão, ocorreu uma reunião no Banco Central com participação de policiais federais para tratar de assuntos relacionados ao Banco Master. De acordo com a PF, Vorcaro registrou os nomes de delegados presentes no encontro e posteriormente teria informado que a mensagem teria vindo de “amigos do BC”.

No dia 17 de novembro de 2025, data da operação, Warde e Vorcaro conversaram por telefone sobre um “assunto importante”, conforme relato do advogado em mensagens. Em seguida, o banqueiro pediu à secretária o cancelamento de compromissos e informou ao advogado que havia agendado um voo.

Horas depois, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar em um voo particular para Dubai. Ele chegou a cumprir prisão domiciliar posteriormente, mas voltou a ser preso em 4 de março sob acusação de obstrução e ameaça.

Nesta sexta-feira (13), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal manteve a prisão por maioria, referendando decisão do relator do caso, ministro André Mendonça.