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Caminhadas e escolta: como era a rotina de Bolsonaro na Papudinha antes de ser internado

Jair Bolsonaro durante internação. Foto: reprodução

A rotina diária do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na chamada “Papudinha”, unidade do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, seguia praticamente inalterada até a véspera do episódio de broncopneumonia bilateral que o levou novamente à Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star. Com informações do Metrópoles.

No fim das tardes, quando o relógio se aproximava das 17h, uma pequena comitiva se formava dentro da área de segurança da unidade. No centro do grupo estava Bolsonaro, que deixava diariamente a cela 2 para realizar uma caminhada nas dependências próximas ao batalhão. O trajeto durava cerca de uma hora e acontecia sob acompanhamento constante.

A movimentação incluía três policiais militares, entre eles o oficial de dia, além de um médico e dois profissionais de saúde do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. A cena, descrita por pessoas que acompanham a rotina como uma espécie de “procissão”, tornou-se parte do cotidiano da unidade prisional.

Durante o percurso, Bolsonaro costumava caminhar ao lado de dois aliados políticos que também estão presos: o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques. Segundo relatos, o trio percorria o circuito em ritmo acelerado e repetia o trajeto diariamente.

Vista aérea da Papudinha. Foto: reprodução

Até poucos dias antes da internação, não havia sinais aparentes de alteração no estado de saúde do ex-presidente. Informações obtidas por pessoas que acompanham a rotina indicam que Bolsonaro seguia se alimentando normalmente e passava a maior parte do tempo sozinho na cela.

Também não foram relatados sintomas como tosse persistente, vômitos ou mal-estar durante as caminhadas ou dentro da unidade prisional. Por isso, quando o quadro mudou, a reação entre os profissionais que acompanham a rotina foi de surpresa.

Na madrugada de sexta-feira (13), Bolsonaro apresentou episódios de vômito provocados por uma tosse insistente. Após avaliação médica pela manhã, ele foi encaminhado ao Hospital DF Star para exames. Os profissionais de saúde também identificaram queda na saturação de oxigênio, o que motivou a transferência para investigação clínica.

Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o pai acordou com calafrios e sudorese intensa. Para garantir atendimento imediato na unidade prisional, uma equipe médica permanece de plantão 24 horas na Papudinha sob supervisão da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Bolsonaro enfrenta complicações de saúde desde 2018, quando sofreu um atentado a faca durante a campanha presidencial. O episódio resultou em diversas cirurgias e acompanhamento médico contínuo.

Esse histórico foi citado pela defesa ao solicitar a transferência do ex-presidente para prisão domiciliar. O pedido, no entanto, foi negado pela Supremo Tribunal Federal em decisão relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, que considerou a estrutura da unidade prisional adequada para o tratamento médico.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado e está preso na Papudinha desde 15 de janeiro. Com a internação hospitalar, a rotina de caminhadas escoltadas nas tardes da unidade prisional permanece suspensa.