Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Pastor bolsonarista é acusado de usar imagem de jovem autista para arrecadação e família pede indenização

O Pastor Anderson Silva

Uma moradora do Distrito Federal entrou na Justiça contra o pastor Anderson Silva e o instituto dirigido por ele em Samambaia Sul após alegar uso indevido da imagem do filho autista em campanha para arrecadação de dinheiro nas redes sociais. A ação pede indenização por danos morais e materiais e cita valores que teriam sido levantados sem repasse à família.

O caso ocorreu após a divulgação de um vídeo publicado nas redes do líder religioso, que acumulou quase 800 mil visualizações. Segundo a autora da ação, as gravações mostravam o adolescente, diagnosticado com autismo nível três de suporte, e tinham como objetivo arrecadar recursos para reforma da casa onde a família morava em Sobradinho I.

Anderson Silva é responsável pelo projeto A Casa do John John, ligado ao Instituto Família Silva. A iniciativa afirma oferecer apoio voluntário a mães de crianças e adolescentes autistas. De acordo com a organização, mais de 300 famílias já receberam atendimento gratuito desde a criação do projeto, há cerca de seis anos.

A mãe do adolescente afirmou que procurou o projeto no fim de 2023 para obter ajuda para adaptar a residência, pois o filho exigia cuidados permanentes e costumava sair de casa sem supervisão. Segundo ela, o pastor visitou o imóvel, pediu autorização para gravar imagens e disse que o dinheiro arrecadado seria destinado integralmente à família.

Pastor Anderson Silva ao lado de Jair Bolsonaro

No vídeo divulgado nas redes sociais, Anderson Silva relatou que pretendia levantar recursos para alugar uma casa, custear plano de saúde e oferecer acompanhamento terapêutico. “Eu quero e vou intervir na vida desse jovem e da mãe dele. Quero alugar uma casa, que eles estarão perto de nós, onde terão todo o apoio terapêutico. Vamos gerar uma comunidade ao redor deles. Quero levantar R$ 30 mil reais para alugar a casa, mobiliar a casa e para o plano de saúde para Karina e ao filho dela”, afirmou.

Segundo a autora da ação, a família chegou a morar por mais de um ano em um imóvel alugado pelo pastor em Samambaia, enquanto aguardava a reforma da casa em Sobradinho. Ela declarou que os pagamentos do aluguel e de despesas foram interrompidos e que a obra prometida nunca foi realizada. Também afirmou que a ajuda mensal para alimentação foi paga apenas por alguns meses.

A mulher disse ainda que tomou conhecimento posteriormente de que a campanha teria arrecadado mais de R$ 2 milhões após a publicação dos vídeos nas redes sociais. De acordo com o processo, nenhum valor foi repassado à família e não houve prestação de contas sobre as quantias levantadas.

A ação foi apresentada pelos advogados Márcio Antônio de Oliveira e Elizeu Pinheiro de Almeida, que pedem indenização de R$ 330 mil. A defesa sustenta que houve uso indevido da imagem do adolescente em situação de vulnerabilidade. Procurado, Anderson Silva não se manifestou.