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Assessor de Cláudio Castro chama Palácio Guanabara de “gabinete do crime organizado”

O advogado Victor Travancas. Foto: Diculgação

O advogado Victor Travancas foi exonerado do cargo de assessor na Secretaria da Casa Civil do governo do Rio de Janeiro após fazer declarações contra o governador Cláudio Castro durante participação em um podcast.

Na entrevista, ele afirmou que o Palácio Guanabara seria o centro de atuação de grupos criminosos e criticou nomeações feitas pela atual gestão estadual. As declarações foram dadas no podcast do ex-governador Anthony Garotinho. Trechos do programa chegaram a ser publicados nas redes sociais, mas posteriormente foram apagados.

A entrevista completa, porém, permaneceu disponível no canal do podcast no YouTube na noite de sexta-feira (13). Depois da repercussão, a exoneração dele foi publicada em edição extra do Diário Oficial. Durante a conversa, o ex-assessor fez acusações diretas contra o governador.

“Eu costumo dizer que o Palácio Guanabara é o gabinete do crime organizado do Rio de Janeiro. Na verdade, o crime organizado no Rio de Janeiro funciona dentro do Palácio Guanabara”, afirmou. Em outro momento, acrescentou: “O critério do Cláudio tem sido a nomeação de criminoso”.

Ele disse que tentava deixar o cargo desde o início do ano, mas que o pedido de exoneração teria sido negado diversas vezes. Segundo o ex-assessor, a saída só foi oficializada depois que a entrevista foi divulgada. O advogado ainda afirmou que já havia levado o caso à Justiça para conseguir a dispensa do posto na Secretaria da Casa Civil.

Na entrevista, ele também declarou que, quando atuou como responsável pelo compliance do gabinete do governador em 2024, teria comunicado irregularidades na Fundação Ceperj. Segundo Travancas, essas notificações teriam relação com investigações que resultaram em acusações na Justiça Eleitoral envolvendo a gestão estadual.

O ex-assessor ainda criticou nomeações feitas pelo governo, citando o ex-deputado federal André Moura (União Brasil), que deixou recentemente o cargo interino de secretário de Representação do Governo do Rio em Brasília, mas permaneceu na Secretaria de Governo. Travancas afirmou que Moura considerava “um grande amigo” o ex-deputado estadual TH Joias, preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho.

Outra acusação feita pelo advogado foi a de que integrantes do gabinete do governador teriam enviado informações falsas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo ele , o governo teria negado ao STF que articulou a saída do deputado estadual Rafael Picciani (MDB) da Assembleia Legislativa para permitir a posse de TH Joias como suplente em 2024.

Ele também criticou a nomeação do ex-subsecretário estadual José Carlos Costa Simonin. O filho do ex-auxiliar, Vitor Hugo Oliveira Simonin, é um dos acusados de participação em um estupro coletivo ocorrido em Copacabana. O servidor acabou exonerado depois que o caso veio a público.

As declarações do advogado foram comentadas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, nas redes sociais. “Não sei se o que esse rapaz diz há 3 anos sobre o chefe dele é verdade. Por si só, o fato de ele não ser exonerado mostra um ‘medo’ enorme do que ele possa saber e contar. Se ele mente é crime. Se ele diz a verdade, tem muito crime”, escreveu.

No governo estadual, Travancas era conhecido por ocupar diferentes cargos ao longo da atual gestão. Em janeiro de 2024, foi nomeado subsecretário adjunto do gabinete do governador, pediu exoneração meses depois e voltou ao governo em outro posto.

Em julho, foi nomeado assessor na Casa Civil. Desde o início deste ano, segundo ele, tentava deixar o cargo, chegando a apresentar pedido de exoneração ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro.