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Trump insiste em derrota do Irã, mas conflito mantém pressão sobre petróleo

Colunas de fumaça se erguem de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, uma das principais instalações petrolíferas da região, atingida por destroços de um drone iraniano – AFP

Após duas semanas de conflito no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém o discurso de que o Irã foi derrotado, enquanto a guerra segue com ataques na região, ameaça a estruturas de energia e impacto direto sobre o mercado internacional de petróleo. O confronto, iniciado em 28 de fevereiro, envolve ações dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano e já produz efeitos sobre rotas estratégicas e países vizinhos.

Na sexta-feira (13), forças americanas atacaram a ilha de Kharg, no Golfo Pérsico. O local abriga o principal terminal petrolífero iraniano e concentra quase 90% das exportações de petróleo bruto do país. Segundo os Estados Unidos, mais de 90 alvos militares foram atingidos na área, mas as instalações petrolíferas foram preservadas.

A decisão de não atingir diretamente a estrutura de exportação coloca Trump diante de um impasse. Um ataque a Kharg pode atingir a principal fonte de receita do Irã, mas também tende a provocar nova alta do petróleo. Nos últimos dias, o barril chegou a US$ 120, o maior valor em quatro anos, com impacto sobre inflação, combustíveis e custos econômicos nos Estados Unidos e em outros países.

O cenário também aumentou a tensão no Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de 20% a 25% do petróleo mundial. O Irã mantém restrições na área, e a agência de operações comerciais marítimas do Reino Unido informou que 16 navios foram atacados no golfo da Arábia, no Estreito de Ormuz e no golfo de Omã. Diante disso, Trump afirmou que a Marinha americana começará “muito em breve” a escoltar petroleiros na região.

Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos

Neste sábado (14), o presidente americano declarou em sua rede social que o Estreito de Ormuz ficará “ABERTO, SEGURO e LIVRE”. Na mesma mensagem, afirmou esperar que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido enviem navios de guerra para atuar no canal de navegação. Segundo ele, vários países devem participar da operação para manter a passagem aberta e protegida.

Do lado iraniano, a resposta veio com novas ameaças a ativos energéticos ligados a Washington. Um porta-voz do comando operacional central do Exército iraniano afirmou que instalações petrolíferas, econômicas e energéticas da região que pertençam parcialmente aos Estados Unidos ou cooperem com o país poderão ser destruídas. No sábado (14), o porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, uma das principais instalações petrolíferas do Oriente Médio, foi atingido por destroços de um drone iraniano interceptado.

A guerra também avança em outras frentes. No Líbano, os ataques de Israel deixaram 773 mortos, segundo o texto. O Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, entrou no conflito em 2 de março, quando lançou mísseis contra Israel. Já no Qatar, autoridades anunciaram a interceptação de dois mísseis sobre Doha, enquanto Omã começou a retirar funcionários não essenciais da embaixada americana. No Iraque, a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá foi alvo de um ataque com drones neste sábado (14).

Em meio à escalada militar, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu negociações diretas entre Israel e Líbano e se ofereceu para sediar conversas de cessar-fogo em Paris. O Hamas, por sua vez, pediu ao Irã que não ataque países vizinhos do Golfo. Mesmo com Trump repetindo que Teerã está derrotado, a guerra segue aberta, com risco sobre o abastecimento de petróleo, a segurança marítima e a estabilidade regional.