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Censura, multa e prisão: o que acontece com quem filma os ataques a Dubai

Prédio danificado nas proximidades do Dubai Creek Harbour após a queda de um drone em Dubai. Foto: Stringer/Reuters via CNN Newsource

Em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, 21 pessoas, incluindo um turista britânico de 60 anos, foram detidas em Dubaim, um dos sete países que compõem os Emirados Árabes Unidos (EAU). por filmar e compartilhar vídeos de ataques com mísseis e drones iranianos.

A prisão ocorreu sob acusação de violação das rigorosas leis de cibercrime dos EAU, que proíbem a publicação de imagens que possam gerar pânico ou espalhar rumores. O britânico filmou um míssil passando sobre sua cabeça, mas deletou o vídeo quando solicitado pela polícia, sendo preso logo após.

De acordo com a organização “Detained in Dubai”, que oferece apoio a prisioneiros no país, as prisões estão sendo feitas em grande parte por policiais à paisana que flagram cidadãos filmando os ataques.

As leis de cibercrime no país, que penalizam a propagação de informações falsas, podem resultar em uma pena de pelo menos dois anos de prisão e multas de até 200.000 dirhams (aproximadamente R$ 280.000). A Detained in Dubai afirmou que a acusação é vaga, pois as pessoas podem ser processadas apenas por postar ou compartilhar vídeos, independentemente do conteúdo.

Além do caso do britânico, outros cidadãos, como um estudante indiano e dois franceses, também foram detidos por filmar os ataques, embora os dois últimos tenham sido liberados sem acusações. A prisão do britânico e outros incidentes recentes destacam a severidade da legislação dos EAU sobre a filmagem de eventos sensíveis, especialmente durante um conflito militar em andamento. O governo local alertou repetidamente sobre os riscos de compartilhar imagens ou informações não verificadas, destacando a preocupação com a segurança nacional.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, em resposta ao caso, afirmou estar em contato com as autoridades dos Emirados Árabes Unidos. Enquanto isso, a Embaixada do Reino Unido reiterou os avisos do governo dos EAU, alertando seus cidadãos sobre as leis locais. O embaixador dos EAU no Reino Unido defendeu que as medidas são necessárias para garantir a segurança da população, considerando o perigo de destroços em áreas afetadas pelos ataques. As restrições à filmagem e compartilhamento de vídeos visam impedir a disseminação de informações que possam comprometer a segurança e estabilidade nacional.

O governo dos Emirados também tem enfrentado críticas internacionais pela repressão a essas práticas, mas as autoridades insistem que essas medidas são fundamentais para manter a ordem durante o conflito. Até o momento, mais de 1.800 drones e mísseis foram lançados contra os EAU desde o início da guerra, resultando em mortes e feridos, além de danos materiais significativos. O incidente evidencia como a guerra no Oriente Médio está impactando não apenas as fronteiras políticas, mas também a liberdade de expressão e a circulação de informações em países afetados diretamente pelos ataques.