
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste sábado (14) que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação internacional, mas com restrições a países considerados inimigos ou aliados dos Estados Unidos. A declaração ocorre em meio à escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Segundo o chanceler iraniano, a travessia estaria bloqueada “apenas para petroleiros e navios de inimigos e os aliados deles”. Araghchi afirmou ainda que embarcações de outros países continuam autorizadas a circular pela passagem marítima.
“Os outros navios têm passagem livres, mas podem optar desviar por questões de segurança”, disse à mídia estatal iraniana. Ele acrescentou que “ainda há muitos petroleiros e navios que estão passando pelo estreito”.
O posicionamento do governo iraniano foi divulgado no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que outros países enviem navios de guerra para garantir a segurança da navegação na região. A medida ocorre enquanto forças iranianas mantêm ações de resposta contra bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passam diariamente pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo localizado entre o Irã e Omã. A possibilidade de bloqueio da rota estratégica é vista como um dos principais fatores de pressão geopolítica no conflito.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que países que dependem do petróleo transportado pela passagem devem contribuir para garantir sua segurança.
“Os países do mundo que recebem petróleo pelo estreito de Ormuz precisam zelar por essa passagem, e nós vamos ajudar —E MUITO”, escreveu. Segundo ele, os Estados Unidos também vão coordenar ações com outras nações “para que tudo ocorra de forma rápida, tranquila e satisfatória”.
O presidente estadunidense também afirmou esperar que países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido enviem embarcações militares para a região.
Em outra publicação, afirmou que “muitos países, especialmente os afetados pela tentativa do Irã de fechar o estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra em conjunto com os Estados Unidos da América para manter o estreito aberto e seguro”.
Trump também elevou o tom ao comentar a estratégia militar no conflito. “Enquanto isso, os Estados Unidos bombardearão pesadamente a costa e continuarão a abater barcos e navios iranianos”, escreveu.
A tensão no Golfo Pérsico também provocou impacto direto no mercado de energia. O petróleo Brent, referência internacional, foi negociado próximo de US$ 105 por barril nesta segunda-feira (16), acumulando valorização superior a 40% desde o início da guerra. O petróleo de referência estadunidense também subiu e chegou a US$ 99,68 por barril.
A instabilidade no transporte de petróleo pela região levou à interrupção de mais de 12 milhões de barris de produção diária, segundo a empresa de análise energética Rystad Energy. Mesmo assim, alguns navios-tanque continuam cruzando o estreito, ampliando a incerteza nos mercados.