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Normalizando o golpismo: Flávio Bolsonaro vira “Flávio” para a Folha, diz ombudsman

Flávio na Folha

A jornalista Helena Chagas comentou em sua conta no X a coluna da ombudsman da Folha Alexandra Moraes, no domingo (15), falando como o jornal resolveu tratar com carinho Flávio Bolsonaro:

Ombudsman da Folha nota, muito acertadamente, que o jornal transformou o filho 01 de Bolsonaro em apenas “Flávio” em seus títulos, omitindo o sobrenome quando diz q ele cresceu nas pesquisas, falou isso, falou aquilo…

Para mim, é uma maneira de normalizar um candidato golpista, que obviamente não deveria ser levado a sério, e nem candidato poderia ser.

Há três anos, o pai, o filho e mais um monte de gente participaram de uma asquerosa tentativa de acabar com a democracia no país.

Se a lei não funciona como deveria para barrar um candidato desses, a mídia ao menos deveria ter responsabilidade e dar o devido tratamento e ignorar, ou ao menos explicitar o que ele é, no noticiário. Só que não, igualam Lula e Flávio, naturalizando a monstruosidade.

Por quê? Porque implicam com Lula desde sempre.

Trechos do que escreveu a ombudsman:

De repente do Bolsonaro fez-se o Flávio. Como numa espécie de versão pragmática do “Soneto de Separação”, alguns leitores observaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) vem perdendo o sobrenome no noticiário, na medida em que consolida seu papel de candidato viável contra o presidente Lula (PT). Se antes era o 01 do Bolsopai, agora virou apenas Flávio. Que Flávio?

“Datafolha: Flávio se consolida e empata com Lula no 2º turno”, “Centrão aponta problemas de Lula e crises do governo como fator de crescimento de Flávio”, “Pré-campanha de Flávio registra aumento de ataques”, “Flávio discursará em evento conservador que deve ter presença de Trump nos EUA”, “Governo Lula culpa privatizações por aumento de preços dos combustíveis em ofensiva contra Flávio”.

Não deixa de ser curioso que se tenha produzido tão rapidamente o efeito Flávio. É impossível não admitir que seu prenome curto ofereça uma certa praticidade jornalística a títulos menores (ou com mais espaço para elucubrações), chamadas enxutas, notas taquigráficas. Mas até que ponto faz sentido enunciar Flávio sem Bolsonaro?

E não foi só a promoção de Flávio Bolsonaro a Flávio que chamou a atenção na semana das pesquisas. Uma leitora escreveu para pedir mais cuidado com elas.

Ao divulgar os resultados do Datafolha, a Folha elaborou um recorte bastante peculiar a respeito das preocupações nacionais: “9% veem corrupção como principal problema do país, afirma Datafolha”. Um leitor, “assinante desde 2002, com períodos de interrupção e retomada da assinatura”, observa que “a principal preocupação dos brasileiros/as é com a ‘saúde’, e a ‘corrupção’ aparece em 5º lugar, mas ainda assim é exatamente a corrupção a preocupação destacada no texto”.

O próprio texto informava que, “de acordo com o levantamento, saúde (21%) lidera entre os principais problemas do país citados pelos entrevistados, tecnicamente empatada com segurança (19%). A menção a corrupção (9%) só aparece depois, numericamente atrás de economia (11%) e ao lado de educação (9%)”.

O jornal tentou elaborar algo a respeito do caso Master, mas acabou deixando de lado a notícia e indo atrás do que mais soava a picuinha. (…)