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Caso Gisele: àudio entregue à polícia indica que vítima planejava deixar o marido

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldado da PM Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução

O advogado da família da soldada da Polícia Militar Gisele Santana apresentou, nesta segunda-feira (16), um áudio que, segundo ele, foi enviado pela policial ao pai em 2025. Na gravação, a PM fala sobre a intenção de se mudar do apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, em São Paulo.

De acordo com o defensor Miguel Silva, a mensagem mostra que Gisele buscava uma casa próxima à residência dos pais para facilitar a rotina de trabalho e os cuidados com a filha. “Recebi um áudio onde Gisele, no ano passado, pede para o pai arrumar uma casa para ela. O desespero era tanto.”, afirmou.

No conteúdo apresentado, a policial detalha a necessidade de reduzir deslocamentos diários. “Não, pai, pra mim é melhor aí, rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo pra ir trabalhar e aí eu vou ter que deixar a [nome da criança] dormindo aí, entendeu?”, diz em um trecho.

 

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Em outra parte do áudio, ela reforça a dificuldade com o trajeto até o trabalho. “Então, quanto mais perto, melhor. Porque eu já deixo ela aí e já pego o trem pra ir trabalhar, entendeu? Pra não ficar tendo essa viagem aí de manhã. Eu perco muito tempo. Eu entro cedo aqui no serviço”, afirma.

O advogado da família também declarou que o tenente-coronel possui histórico de ameaças e perseguições contra mulheres, citando registros policiais e decisões judiciais envolvendo ex-companheiras e policiais militares subordinadas. “É um histórico ameaçador, um histórico perseguidor”, disse.

A defesa do oficial sustenta que a morte da soldada, ocorrida em 18 de fevereiro, foi resultado de suicídio. Já a Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita e aguarda laudos complementares para esclarecer as circunstâncias. A hipótese de feminicídio também está em apuração.