
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta segunda-feira (16) que organizações criminosas geram um sentimento de terrorismo ao comentar a atuação de facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). A declaração foi feita após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília.
Segundo Paz, a discussão sobre a classificação dessas organizações ocorre em meio a um novo entendimento defendido pelo governo de Donald Trump. No início do mês, o presidente boliviano participou de um encontro com o líder dos Estados Unidos e outros chefes de Estado de direita da América Latina.
Durante a entrevista, Paz citou a prisão do uruguaio Sebastián Marset, apontado como um dos principais narcotraficantes da região e ligado ao PCC. Ele foi detido no dia 13 e extraditado para os Estados Unidos. “Hoje em dia, nossa sociedade está mais livre”, afirmou o presidente boliviano.
O chefe de Estado também declarou que a atuação dessas organizações impacta a segurança no país. “O grau de classificação do terrorismo é múltiplo, é diverso, mas para nós, ter feito o que fizemos no dia a dia é central em nossa missão, contra o crime organizado, contra as máfias, mas contra o terrorismo”, disse.
Em outro momento, Paz reconhece que seu país “exporta ilícitos”, mas disse que a Bolívia ‘importa violência’ do Brasil.
Após o encontro com Lula, o presidente da Bolívia se mostrou favorável à classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas e adicionou:
“Temos um problema com o Brasil, que nos importa violência” pic.twitter.com/RVmALJxkLX
— Sam Pancher (@SamPancher) March 16, 2026
Na agenda oficial desta segunda-feira (16), Paz participou de reunião bilateral com Lula, assinatura de atos conjuntos e almoço no Palácio do Itamaraty. Os dois países firmaram um acordo para fortalecer ações de cooperação e coordenação no combate ao crime organizado transnacional.
O documento prevê parceria na busca de fugitivos, intercâmbio de informações e oferta de especializações para forças policiais. Ao comentar sua relação com diferentes governos, Paz afirmou que busca manter diálogo com diferentes lideranças. “Se em oito dias a Bolívia pode estar com Trump e com Lula, deem um crédito à Bolívia”, declarou.
O governo brasileiro acompanha o tema com atenção. Há avaliação de que a eventual classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode ter implicações jurídicas. Também há preocupação com possíveis desdobramentos políticos no cenário interno.