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Indicado pelo governo Bolsonaro, diretor do Dataprev é alvo da PF contra fraude no INSS

Alan Santos, diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev. Foto: reprodução

Um diretor da Dataprev, estatal responsável por tecnologia e dados da Previdência Social, está entre os alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (17) pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, com prejuízos bilionários a beneficiários.

Segundo apuração do Metrópoles, o alvo é Alan Santos, atual diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev. Funcionário de carreira do INSS, ele ocupa o cargo desde o governo Jair Bolsonaro (PL). De acordo com fontes da Polícia Federal, Santos foi alvo de mandado de busca e apreensão em seu endereço, em Brasília, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Documentos da CPMI do INSS indicam que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, se reuniu com Alan Santos nas dependências da Dataprev durante o governo anterior. Esses encontros agora são analisados no contexto das investigações sobre o suposto esquema de fraudes.

Sede do Dataprev. Foto: reprodução

A operação desta terça-feira, chamada Operação Indébito, é um desdobramento da Operação Sem Desconto e ocorre em conjunto com a Controladoria-Geral da União. Ao todo, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal.

As investigações apontam que o grupo teria movimentado pelo menos R$ 1,3 bilhão por meio de descontos indevidos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização. Segundo a Justiça, os valores eram retirados mensalmente das contas das vítimas.

Entre os investigados também está a ex-deputada federal Maria Gorete Pereira. De acordo com decisão judicial, ela “recebeu procuração da associação AAPEN para celebrar o Acordo de Cooperação Técnica com o INSS”, o que lhe concederia amplos poderes dentro da estrutura investigada. Há ainda registros de movimentações financeiras consideradas suspeitas, que somam cerca de R$ 245 mil entre 2018 e 2023.

A apuração envolve suspeitas de crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, organização criminosa e ocultação de patrimônio. A Polícia Federal e a CGU buscam identificar outros envolvidos e aprofundar o alcance do esquema.