
O bolsonarista Joel Borges Corrêa, brasileiro foragido por sua participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, obteve refúgio político na Argentina, após prestar depoimento à Comissão Nacional para os Refugiados (Conare).
O caminhoneiro de 47 anos afirmou que o propósito da manifestação não era questionar o resultado das eleições, mas protestar contra projetos do governo de Lula, como a legalização do aborto e das drogas. No entanto, essas alegações são desmentidas por fontes oficiais, pois o plano de governo atual, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não inclui tais propostas.
O depoimento de Corrêa, segundo informações do UOL, contém fake news amplamente disseminadas na campanha de 2022. Durante a corrida eleitoral, rumores sobre a legalização do aborto e das drogas foram espalhados, mas o programa de governo do presidente Lula jamais contemplou essas medidas.
À Conare, ele afirmou que o foco das mobilizações era protestar contra propostas como o aborto e a legalização das drogas, negando qualquer menção à transparência eleitoral ou contestação dos resultados das urnas.
O pedido de refúgio foi concedido pela Conare no início de março de 2026, impedindo sua extradição para o Brasil. Antes disso, a extradição havia sido autorizada pelo juiz federal argentino Daniel Rafecas, mas com a decisão do refúgio, o processo foi suspenso.
O caminhoneiro, condenado no Brasil a 13 anos e 6 meses de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado e associação criminosa armada, foi um dos vários bolsonaristas a fugir para a Argentina após os ataques de 8 de janeiro.

O depoimento do bolsonarista, no qual ele mencionou que os protestos começaram devido às políticas de Lula, contraria evidências públicas. Imagens, faixas e vídeos dos atos de 8 de janeiro indicavam que a principal pauta era questionar o resultado eleitoral e pedir intervenção militar, com foco na contestação da vitória dele.
Corrêa, por outro lado, afirmou que o resultado eleitoral estava aceito, e que o objetivo era protestar contra as políticas do presidente. Além disso, ele deu detalhes de como soubera dos protestos por meio de sua filha, que se informara sobre os eventos em Brasília através de grupos em WhatsApp e Facebook.
Segundo ele, o objetivo era apenas contestar as propostas relacionadas ao aborto e à legalização das drogas, sendo a questão da transparência eleitoral irrelevante para os manifestantes. A Conare, ao conceder o refúgio, alegou que o relato de Corrêa era crível, embora esse não tenha sido corroborado pelas investigações.
O depoimento também incluiu a versão de Corrêa sobre os atos de vandalismo durante os ataques, alegando que “infiltrados” encapuzados, supostamente contratados pelo governo petista, haviam causado os danos. No entanto, a Polícia Federal refutou essa versão, que foi propagada por militantes bolsonaristas, sem comprovação de fatos.
Fake news sobre a presença de petistas infiltrados, como a de Marcelo Heitor, sobrinho do ex-governador Zeca do PT, foram desmentidas. Corrêa também questionou o fato de civis estarem sendo julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos atos de 8 de janeiro.
Ele argumentou que apenas políticos com foro privilegiado deveriam ser responsabilizados, uma tese que foi discutida, mas rejeitada pelo tribunal. O STF tomou a decisão de julgar todos os envolvidos, incluindo civis, devido à conexão com autoridades com foro privilegiado.
Em sua decisão, a Conare concluiu que Corrêa tem um “medo fundamentado e crível” de perseguição política, ligado às suas opiniões contra o governo de Lula. A comissão argumentou que a participação de Corrêa em manifestações opositoras, como a de 8 de janeiro, o coloca em risco de perseguição política no Brasil. A alegação de que ele temia perseguições devido às suas opiniões políticas foi suficiente para justificar o refúgio.