
Ao votar pela condenação de três deputados do Partido Liberal por corrupção passiva, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou o esquema investigado à atuação da máfia italiana. O julgamento, realizado nesta terça-feira (17), trata de um desvio de emendas parlamentares e já soma maioria de votos pela condenação.
Os parlamentares citados são Josimar Cunha Rodrigues, o Pastor Gil e Bosco Costa, todos eleitos pelo Maranhão. Segundo Moraes, havia um controle detalhado dos valores e uma estrutura organizada de cobrança, com divisão de quantias e pressão sobre os envolvidos.
Durante o voto, o ministro fez referência ao filme “Os Intocáveis” ao destacar a importância de registros financeiros no caso. “Parece aqui, presidente [ministro Flávio Dino], que ninguém viu (sic) nem precisava conhecer a história, mas ninguém viu o filme ‘Os Intocáveis’? Tinha o Sean Connery, que era um deles, e o principal, que agora me fugiu o nome, Kevin Costner. Mesmo que não conhecesse a história, Al Capone foi pego pelo livro de contabilidade”, afirmou.
Na sequência, Moraes reforçou a comparação com organizações criminosas ao detalhar o funcionamento do esquema. “Aqui continuam fazendo a contabilidade, continuam enviando e depositando. Então tem o depósito, tem a contabilidade, tem a prestação de contas. E, assim como a máfia italiana nos Estados Unidos, havia o cobrador e, se começasse a demorar, havia o Pacovan [Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan]. Tinha violência e grave ameaça para cobrança”.
O voto acompanhou o relator Cristiano Zanin e foi seguido pelos ministros Cármen Lúcia e Flávio Dino, formando placar de 4 a 0 pela condenação. A decisão também incluiu outras quatro pessoas por corrupção passiva, enquanto foi afastada a acusação de organização criminosa apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Além dos deputados, foram condenados João Batista Magalhães, assessor de Josimar, Antônio José da Silva Rocha, apontado como operador, e Adonis Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto, também operadores do esquema. Já Thales Andrade Costa foi absolvido.
Segundo Moraes, as provas reunidas ao longo da ação penal indicam um padrão de atuação entre os investigados, com estrutura voltada à prática reiterada de crimes. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Federal.