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“A segunda metade do ano vai ser de muito calor”: o que se espera com a volta do El Niño

Seca no Brasil acentuada pelo El Niño de 2024. Foto: reprodução

O mais recente boletim climático da NOAA acendeu um alerta para o Brasil ao indicar uma rápida transição da La Niña para o El Niño ainda em 2026. A previsão divulgada nesta terça-feira (17) aponta que o fenômeno deve se consolidar no segundo semestre, com alta probabilidade de provocar calor extremo em todo o país.

Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, chefe de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o cenário climático já está em mudança.

“Ainda estamos sob influência da La Niña, mas se espera uma transição muito rápida para o El Niño. As probabilidades aumentaram muito em relação ao mês passado. Passaram de 60% para 80% as chances de El Niño a partir de agosto. Vai acontecer. Até junho podemos esperar um período neutro, sem La Niña (fria) ou El Niño (quente)”, disse Seluchi ao Globo.

A expectativa é de que o fenômeno comece a se manifestar já a partir de julho, com intensificação nos meses seguintes. “A partir de julho já podemos ter El Niño. E, o que é péssimo, ele não parece ser dos mais fracos”, afirmou o metereologista.

Questionado sobre a possibilidade de um evento extremo, ele ponderou: “Há quem sempre fale isso, claro. Mas é chute. Neste momento, a previsão é de que, de setembro em diante, poderemos ter um El Niño de moderado a forte”.

Os impactos mais imediatos devem ser sentidos nas temperaturas. “Calor. A segunda metade do ano vai ser de muito calor. E muito calor traz as outras coisas, como baixa umidade, incêndios. Não são boas notícias”, explicou o especialista. O aumento do risco de queimadas, especialmente na região Norte durante a estação seca, é uma das principais preocupações.

Cidades alagadas no Rio Grande do Sul em 2024. Foto: reprodução

Em relação às chuvas, o cenário ainda é incerto. “Em termos de chuva, é muito cedo para falar. Nos próximos meses, até junho, a previsão de chuva não é ruim. Pode chover acima da média na parte alta do Amazonas. No restante do país, não dá para dizer neste momento. Mas deve chover mais no Sul e menos no Norte, como em todo El Niño. Sudeste e Centro-Oeste são incertos. Isso não significa a repetição de eventos como o do Rio Grande do Sul”.

Seluchi também passou uma mensagem de calma, afirmando que “sempre há risco [de eventos extremos], mas não motivo para pânico. Neste momento, preocupa mais o risco de incêndios no Norte na estação seca, no segundo semestre. Muito mais importantes do que a chuva, serão os extremos do calor. Estes são certos”.

Por fim, o metereologista também descartou teorias que circulam nas redes sociais sobre a influência de uma “bolha fria” no Atlântico. “Não fazem sentido. É uma bolha pequena e a chuva está muito mais associada ao impacto das alterações no Pacífico e na umidade que vem da Amazônia”.