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Os R$ 165 milhões gastos por Vorcaro em obras de arte em uma única galeria de SP

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Anotações obtidas a partir da quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro revelam que uma empresa ligada a ele realizou repasses superiores a R$ 165 milhões a uma galeria de arte em São Paulo. As informações, analisadas no âmbito da CPMI do INSS e divulgadas pelo portal Metrópoles, apontam para transações feitas por meio da Super Empreendimentos e Participações S.A.

De acordo com os dados, Vorcaro teria orientado pagamentos à Almeida & Dale Galeria de Arte a partir de abril de 2024. A galeria é reconhecida pela curadoria de alto padrão e negociação de obras de artistas renomados.

As transações incluem compras de peças de nomes como Beatriz Milhazes, Sergio Camargo, Tomie Ohtake, Tracey Emin e Os Gemeos. Uma obra do artista estadunidense Alexander Calder chegou a ser adquirida, mas posteriormente foi devolvida.

As investigações indicam que a Super Empreendimentos seria utilizada como intermediária para pagamentos ligados a atividades ilícitas, incluindo repasses a operadores e ex-servidores do Banco Central, como Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, além de integrantes do grupo conhecido como “A Turma”. Vorcaro, segundo apuração, frequentava feiras e galerias de arte e realizava aquisições de alto valor.

Carlos Dale Junior e Antonio Almeida, donos da Almeida & Dale Galeria de Arte. Foto: reprodução

Os registros apontam que foram realizadas nove transferências entre 2024 e 2025. A primeira ocorreu em 4 de abril de 2024, no valor de R$ 10 milhões, seguida por outras duas parcelas iguais nos meses seguintes.

Posteriormente, a partir de maio de 2025, foram feitos seis pagamentos mensais de R$ 22,5 milhões, totalizando R$ 165 milhões movimentados pela empresa ligada ao banqueiro, atualmente preso por fraudes bancárias.

Em nota, a galeria confirmou as operações comerciais. “Todas as negociações foram conduzidas por meio de um intermediário independente e um advisor especializado no mercado de arte que representava a Super Empreendimentos. A galeria, seus sócios e colaboradores jamais tiveram contato direto com os sócios ou dirigentes da empresa compradora”.

O comunicado também destaca a regularidade das transações. “A Almeida & Dale emitiu regularmente notas fiscais referentes às comissões recebidas nessas operações, em estrita conformidade com a legislação”.