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“Clima no STF”: a aposta da defesa e aliados de Bolsonaro para prisão domiciliar

Jair Bolsonaro durante internação no DF Star. Foto: reprodução

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que ele deve conseguir autorização para cumprir prisão domiciliar após receber alta hospitalar, embora ainda não haja previsão para isso ocorrer. O golpista condenado está internado com broncopneumonia bacteriana bilateral após passar mal na unidade prisional conhecida como Papudinha, onde cumpre pena de 27 anos de pena.

Nos bastidores, integrantes do Congresso afirmam que o quadro clínico de Bolsonaro foi grave e que, se o atendimento médico tivesse demorado mais, ele poderia não ter resistido. Esse cenário reforçou a pressão política por uma eventual transferência para prisão domiciliar, inclusive entre setores da base governista, e segundo Igor Gadelha no Metrópoles, teria mudado o “clima” no Supremo Tribunal Federal (STF).

A avaliação predominante é de que a responsabilidade por uma eventual piora no estado de saúde do ex-presidente poderia recair sobre o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelas condições da prisão. Além disso, aliados enxergam possíveis impactos eleitorais, especialmente na disputa presidencial de 2026.

A defesa de Bolsonaro apresentou novo pedido ao STF alegando falhas no atendimento inicial. Segundo os advogados, os primeiros sintomas da pneumonia teriam surgido às 2h, mas o atendimento médico só começou às 6h45, o que evidenciaria a impossibilidade de monitoramento clínico contínuo na prisão.

Bolsonaro no DF Star em foto publicada por Carluxo. Foto: reprodução

Em decisão anterior, Moraes negou a domiciliar ao afirmar que a unidade prisional dispõe de estrutura adequada, com atendimento médico 24 horas, suporte do Samu e acesso a equipes particulares do ex-presidente. Apesar disso, advogados e aliados dizem perceber um “clima no STF” mais favorável à transferência após a internação emergencial.

Reservadamente, integrantes da defesa avaliam que uma eventual morte de Bolsonaro na prisão poderia gerar forte repercussão institucional. “O Supremo não pode correr um risco de algo que parece inevitável”, afirmou um aliado próximo.

Na terça-feira (17), o senador Flávio Bolsonaro se reuniu com Moraes para reforçar o pedido de domiciliar, acompanhado do advogado Paulo Amador Cunha Bueno. Em janeiro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já havia feito apelo semelhante em reunião considerada cordial, mas sem mudança de posição do ministro à época.

Bolsonaro já havia cumprido prisão domiciliar entre agosto e novembro, com uso de tornozeleira eletrônica, mas foi transferido após tentar romper o equipamento. Agora, com o agravamento do quadro de saúde, a defesa aposta em uma nova decisão favorável do Supremo.