
Laudos periciais apontam que a policial militar Gisele Alves foi imobilizada por trás e que o assassino usou a mão esquerda enquanto disparava com a pistola, uma Glock calibre .40. A vítima foi encontrada morta com um tiro na cabeça e seu marido, o tenente-coronel Geraldo Leite, foi preso por suspeita de feminicídio, violência doméstica e fraude processual.
A trajetória do projétil foi ascendente, o que confirma a versão de um ataque inesperado, sem chances de defesa para a vítima. Investigações revelaram que o local do crime apresentava vestígios de sangue em diferentes cômodos, além de estigmas digitais e ungueais no corpo de Gisele, indicando que ela foi imobilizada com força antes de ser baleada.
A perícia também constatou lesões recentes em seu rosto e axila, compatíveis com agressões físicas anteriores ao disparo fatal. O laudo de reprodução simulada descartou a hipótese de suicídio, indicando que o tiro foi disparado pelas costas de forma súbita e inesperada, impossibilitando qualquer reação da vítima.
A manipulação da cena do crime pelo tenente-coronel foi citada pela perícia, que apontou que a arma foi colocada na mão de Gisele após sua morte. Ele também demorou para acionar o socorro, fazendo diversas ligações a terceiros antes de chamar a polícia, o que indica a possível tentativa de limpar vestígios do crime e manipular a narrativa.
A reconstrução do ambiente também apontou inconsistências na versão do investigado, já que não seria possível visualizar o corpo da vítima na posição em que foi registrado nas fotos feitas pelos socorristas.

A Justiça Militar, com base nas provas apresentadas pela Polícia Judiciária Militar e pelo Ministério Público, acatou a prisão preventiva de Geraldo Rosa Neto. Os promotores destacaram a presença de requisitos legais e a consistência das evidências, como a descrição do comportamento ciumento e controlador do tenente-coronel.
Colegas de trabalho de Gisele relataram que ele a perseguia e se mostrava invasivo, chegando a fazer visitas ao local de trabalho da esposa sem justificativa. O inquérito revelou ainda mensagens extraídas do celular do tenente-coronel, nas quais ele fazia ameaças e praticava agressões físicas contra a vítima, o que reforça a tese de um histórico de violência doméstica.
O marido está no presídio militar Romão Gomes, na capital paulista, após a decisão da Justiça Militar, que aceitou o encaminhamento do Ministério Público e a fundamentação do inquérito da Polícia Civil.