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Maior porta-aviões dos EUA deixa o Mar Vermelho por problemas técnicos

O USS Gerald R. Ford no Estreito de Gibraltar. Foto: Divulgação

A retirada do porta-aviões USS Gerald R. Ford do Oriente Médio pode abrir uma lacuna importante para as forças dos Estados Unidos envolvidas na guerra contra o Irã. A embarcação tem sido peça central nas operações aéreas realizadas nas últimas semanas, já que transporta dezenas de caças usados em ataques na região.

Segundo o jornal ‘The New York Times’, citando um oficial militar, o navio deve ser substituído pelo USS George H. W. Bush, que se prepara para seguir para o Oriente Médio para manter a presença naval americana.

O senador Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, criticou publicamente a duração da missão e a forma como o navio foi mantido em operação por tanto tempo. Segundo ele, o porta-aviões e sua tripulação foram levados ao limite após meses de deslocamentos e combate em diferentes regiões.

“O USS Ford e sua tripulação foram levados ao limite após quase um ano no mar e estão pagando o preço pelas decisões militares imprudentes do presidente Donald Trump”, afirmou o senador em comunicado, responsabilizando diretamente a estratégia adotada pela Casa Branca pelo desgaste da embarcação e de seus militares.

O USS Gerald R. Ford é o maior porta-aviões já construído pelos Estados Unidos e custou cerca de US$ 13 bilhões. A embarcação foi lançada em 2017 por Donald Trump durante seu primeiro mandato, mas só iniciou sua primeira missão operacional em 2022.

Com mais de 335 metros de comprimento, 75 metros de largura e propulsão nuclear, o navio pode deslocar cerca de 100 mil toneladas e transportar milhares de militares, além de dezenas de aeronaves de combate escoltadas por destróieres com mísseis guiados.

O Ford é o primeiro da nova classe de porta-aviões projetada para substituir gradualmente os navios da classe Nimitz, considerados a espinha dorsal da Marinha americana por décadas. Antes de ser deslocado para o Oriente Médio, o navio participou de operações no Caribe, onde os Estados Unidos conduzem ações contra embarcações suspeitas de envolvimento com narcotráfico e também missões relacionadas a sanções internacionais.

Durante a atual missão, a embarcação enfrentou uma série de incidentes técnicos. Na semana passada, um incêndio sem relação com combate começou na lavanderia do navio e deixou dois marinheiros feridos, além de danificar cerca de 100 camas.

Autoridades americanas afirmaram que o fogo foi controlado e não afetou os sistemas de propulsão ou o armamento, permitindo que o porta-aviões continuasse operando normalmente. Outro problema recorrente envolve as instalações sanitárias do navio.

Relatórios citados pela imprensa americana indicam que o sistema de esgoto sofre entupimentos frequentes, exigindo limpezas complexas e caras. Um relatório do governo dos EUA já havia apontado que os ralos do porta-aviões entopem de forma inesperada e precisam de manutenção constante, com custo elevado para cada procedimento.

A Marinha reconheceu as dificuldades técnicas, mas afirmou que os problemas são resolvidos por equipes de engenharia com rapidez e sem comprometer as operações militares. Mesmo assim, a longa permanência do navio no mar tem gerado preocupação dentro do próprio Congresso americano, principalmente por causa do desgaste da tripulação após meses de serviço contínuo.