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Flávio Dino enfrenta os vampiros, enquanto parte das esquerdas sesteia

Flávio Dino

O ministro Flávio Dino será foco e alvo de quem o admira e de quem já planeja sua destruição. As esquerdas – mais do que os genericamente definidos como democratas – passam a vê-lo, por seu histórico e destemor e pela sua capacidade de trabalho, como reforço a Alexandre de Moraes para que a luta antifascista siga em frente.

E a velha direita e a nova extrema direita já o colocaram na mira, porque Dino mexe com coisas que estão tortas há décadas. O ministro atua hoje em quatro grandes frentes.

Todas abrigam delituosos e criminosos de grande porte. Dino mexeu com as máfias das emendas, e já temos os primeiros condenados. Abriu a caixa dos penduricalhos dos salários do serviço público, incomodando colegas do Judiciário.

Mexeu agora com a boa vida de juízes condenados, que têm como punição a antecipação da aposentadoria compulsória com salário integral. E determinou que a Polícia Federal volte a entrar nos pântanos da pandemia.

Foi nesse ambiente que prosperaram e se multiplicaram criaturas civis e fardadas, entre as quais os coronéis que tentavam intermediar a venda de vacinas superfaturadas para o governo Bolsonaro. Todos citados no relatório da CPI de 2021 e até hoje impunes.

Há, em todas essas frentes, figuras manjadas que o sistema de Justiça – e Alexandre de Moraes em especial – tentou pegar e que já eram dadas como perdidas no mato do bolsonarismo.

É natural que Dino passe a ser visado por mexer com servidores poderosos viciados em supersalários, de novo com a família Bolsonaro e os militares (no inquérito da pandemia), com colegas da magistratura e com as quadrilhas do Congresso que vivem dos rachadões dos milhões das emendas.

É um homem decidido a enfrentar facções organizadas, num país em que as lutas se desorganizaram nos últimos anos. Foram desestruturadas pela fragilização e pela preguiça de trincheiras históricas de luta – ou tudo o que cabe na definição de movimentos sociais, sindicatos, partidos, mandatos, OAB, universidades, entidades estudantis.

Essa fragilização levou à terceirização de boa parte do combate. Entregaram a Alexandre de Moraes a missão de conter, enquadrar e condenar os quadrilheiros do golpe, desde 2019, quando da instalação do inquérito das fake news. E a sociedade organizada, que não reagiu ao golpismo, decidiu se atirar nas cordas.

Agindo como juiz destemido, Moraes conseguiria compensar o déficit de ação política. O Brasil que se encolheu, a partir do golpe contra Dilma, completa agora uma década de inércia em várias áreas de combate diante da ascensão do fascismo.

Moraes fez pelo país o que as forças (des)organizadas deixaram de fazer. Pode ser o que esperam agora de Flávio Dino, que já foi acusado de determinar, por deliberação do colega Moraes, a perseguição a um jornalista e de ameaçar a liberdade de imprensa, até no Jornal Nacional.

E o jornalista é, na verdade, um escroque que o persegue e ameaça e já foi acusado de participar de uma quadrilha, comandando a extorsão de pessoas que deveriam pagar pela não publicação de notícias comprometedoras.

Também já denunciaram Dino como autoritário e populista ao decidir que juízes criminosos não podem mais desfrutar do ócio da aposentadoria. Devem ser expulsos do serviço público. Os possíveis atingidos acionaram suas defesas também nos jornalões.

Dino vai para a vidraça que já foi de Moraes. Os dois conhecem e dominam o chão onde pisam, ele como ex-juiz federal e figura pública com mandatos de governador e senador, e o colega como promotor e ex-secretário de Justiça de São Paulo.

Que as esquerdas não transfiram das costas de Moraes para as costas de Dino a carga que se negaram a ajudar a carregar no passado recente. Que Dino tenha o suporte que Moraes não teve no enfrentamento das mais variadas espécies de vampiros.