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Rixas e ataques a Valdemar: como Moro foi de “traídor” do bolsonarismo a pré-candidato pelo PL

Flávio Bolsonaro cumprimentando Sergio Moro. Foto: reprodução

A filiação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) ao Partido Liberal ganhou força após reunião com o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto, realizada na última quarta-feira (18), em Brasília, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) o anunciou como pré-candidato ao governo do Paraná. O movimento consolida a reaproximação de Moro com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após anos de rompimentos e trocas públicas de acusações.

A articulação ocorre em meio a um redesenho político no Paraná. O atual governador Ratinho Júnior (PSD) indicou a possibilidade de disputar a Presidência da República, abrindo espaço para novas composições locais. “É a primeira reunião. Não acredito que batam o martelo já”, afirmou Valdemar antes do encontro.

A relação entre Moro e Bolsonaro se acentuou em 2018, quando o então juiz aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça logo após mandar prender Lula, mesmo sem provas, no âmbito da Lava Jato, tirando o petista da disputa presidencial daquele ano e abrindo espaço para a vitória do candidato de extrema-direita.

O rompimento veio em abril de 2020, após a saída do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Na ocasião, Moro acusou o entaõ presidente de tentar interferir politicamente na corporação para proteger seus filhos, como o senador Flávio, acusado de cometer crimes de rachadinha. Bolsonaro negou irregularidades e o episódio marcou um racha público e institucional.

Após deixar o governo, Moro passou a ser alvo de críticas do núcleo bolsonarista e rebater as ofensas. Bolsonaro chegou a chamá-lo de “traíra e mentiroso”, enquanto aliados e filhos do ex-presidente intensificaram ataques, associando o senador a termos como “traidor”, “ingrato” e “anticristão”.

O ex-juiz, por sua vez, buscou se posicionar como alternativa fora do bolsonarismo, ampliando o distanciamento. Nas redes sociais, viraliza um vídeo com diversas falas de Moro contra o ex-presidente e o líder do PL. “Valdemar da Costa Neto é hoje quem manda no Bolsonaro”, disse em um momento. “Valdemar foi condenado por suborno no ‘mensalão’, que estava com o Lula”, criticou em outra fala.

A reaproximação começou em 2022, quando Moro declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno contra Lula. Desde então, a convergência se aprofundou, impulsionada por interesses eleitorais. Agora, o senador surge como pré-candidato ao governo do Paraná com apoio do PL e alinhado ao projeto nacional do grupo.

Nos bastidores, o partido sinalizou oferecer a legenda para a disputa estadual, algo ainda incerto no União Brasil, onde Moro enfrenta resistência interna, especialmente após a federação com o Progressistas. A estratégia do PL inclui utilizar o senador como palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

O plano também prevê uma chapa alinhada ao bolsonarismo no estado, com Filipe Barros ao Senado. Caso a filiação se confirme, haverá rompimento com o grupo de Ratinho Jr., com quem o PL havia sinalizado apoio anteriormente.

Enquanto isso, o PSD articula alternativas para a sucessão estadual, com nomes como Guto Silva, Alexandre Curi e Rafael Greca. Já dentro da federação União Brasil-Progressistas, há movimentos para lançar Greca como candidato e evitar desgaste interno.