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Justiça de SC proíbe bloqueio de rodovias após ameaça de bolsonaristas

Caminhoneiros bolsonaristas durante paralisação de vias após as eleições de 2022. Foto: Will Dias/Estadão Conteúdo

A Justiça Federal de Santa Catarina determinou a proibição de bloqueios em rodovias federais no estado após ameaças de paralisação por parte de caminhoneiros bolsonaristas. A decisão também impede a interdição dos acessos ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes, considerados pontos estratégicos para o escoamento de cargas.

A ordem judicial estabelece que manifestações são permitidas, mas não podem impedir o direito de circulação nem causar prejuízos à economia. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de R$ 10 mil por dia, além da autorização para que a Polícia Rodoviária Federal atue para garantir o fluxo nas estradas.

As ameaças de paralisação surgiram após o aumento do preço do diesel, que subiu 18,86% desde o fim de fevereiro. A alta está ligada à guerra no Oriente Médio, que elevou o valor do petróleo no mercado internacional. No mesmo período, o barril do Brent passou de US$ 72,48 (R$ 380) para US$ 103,42 (R$ 543,13).

O governo federal anunciou medidas para reduzir a pressão sobre o setor, incluindo fiscalização mais rígida do cumprimento do piso mínimo do frete. O Ministério dos Transportes informou que empresas que descumprirem a tabela poderão perder a autorização para operar no país.

Paralisação bolsonarista após derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Foto: Roosevelt Cassio/Reuters

Integrantes do governo Lula afirmam que há motivação política nas ameaças de greve, especialmente em ano eleitoral. Segundo o UOL, interlocutores dizem que a reação rápida de alguns grupos e a resistência nas negociações levantaram dúvidas sobre a origem das mobilizações.

Governistas dizem que ainda não descobriram se há alguma ordem de uma liderança parlamentar ou partidária da extrema-direita, mas que a velocidade da organização da paralisação levantou suspeitas.

Lideranças dos caminhoneiros negam ligação partidária. Wallace Landim, conhecido como Chorão, disse que o movimento não tem objetivo político e que a preocupação principal é o custo do combustível. Ele afirmou que a categoria cobra medidas para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo.

Nos últimos dias, o governo anunciou a redução de tributos sobre o diesel, subsídio para produtores e proposta de recursos para que estados zerem o ICMS do combustível importado. A equipe econômica avalia que uma paralisação nacional poderia aumentar a inflação e agravar o cenário econômico.