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Lula cobra ONU por ação contra guerra entre EUA e Irã: “Assumam a responsabilidade”

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, falando
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, em SP – Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (19) a atuação do Conselho de Segurança da ONU e condenou a guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Durante evento em São Paulo, Lula afirmou que pretende publicar um artigo em jornais dos países que integram o colegiado para cobrar uma reação dos membros permanentes do órgão, formado por China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

Segundo o presidente, ele conversou na semana passada com líderes desses países e pediu a convocação de uma reunião para tratar do conflito. Ao falar sobre o tema, Lula disse: “Está na hora de vocês convocarem uma reunião, meus amigos. O restante do mundo não participa, mas esses cinco senhores que são membros efetivos do Conselho de Segurança deveriam se reunir para não permitir guerra, para evitar que o Trump invadisse a Venezuela, para evitar que invadisse o Irã”.

No mesmo discurso, Lula afirmou que o Conselho de Segurança da ONU precisa assumir responsabilidade diante da escalada militar. “Eu estou escrevendo um artigo para ser publicado nos jornais de cada país que integra o Conselho de Segurança para chamar a atenção. Assumam a responsabilidade de parar com essa guerra”, declarou o presidente na 17ª Caravana Federativa, agenda voltada a prefeitos e vice-prefeitos para apresentação de ações do governo federal.

Lula também voltou a criticar Donald Trump e disse que não concorda com o regime iraniano, mas defendeu o respeito à autodeterminação dos povos e à integridade territorial dos países. “Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã, eu mesmo não concordo. Mas a gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos, a integridade territorial dos países, a gente não pode ter alguém achando que é dono de mundo”, afirmou.

Ao tratar dos efeitos econômicos do conflito, o presidente disse que a guerra já pressiona o preço internacional do petróleo e afeta o Brasil. Lula anunciou que o governo federal vai intensificar a fiscalização, por meio da Receita Federal, sobre aumentos considerados abusivos nos preços da gasolina, do diesel e do etanol nos postos de combustíveis. Ele também voltou a defender que os governadores reduzam o ICMS sobre os combustíveis.

A proposta, porém, já foi rejeitada pelos estados. Em manifestação divulgada nesta semana, o Comsefaz afirmou que a redução de tributos não garante alívio ao consumidor e pode causar perdas bilionárias de arrecadação em áreas como saúde, educação e segurança. Lula citou a isenção de PIS e Cofins e outras medidas federais para conter reajustes, mas disse que os preços continuam subindo.

“Não aumentou apenas o preço do diesel, aumentou o do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou o da gasolina que não tinha para que aumentar ainda, significa que nesse país tem bandido que quer lucrar até com a desgraça dos outros”, declarou. A composição do Conselho de Segurança da ONU e a posição dos estados sobre o impacto fiscal de cortes de impostos constam em registros públicos e documentos oficiais.