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Caminhoneiros cancelam paralisação, mas mantêm “estado de greve”

Caminhoneiros em greve. Foto: reprodução

Caminhoneiros de todo o país decidiram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (19), suspender a greve que vinha sendo discutida para os próximos dias, mas optaram por manter o “estado de greve”. A decisão foi tomada após reunião nacional de lideranças, em meio à pressão por causa da alta do diesel e do descumprimento do piso mínimo do frete. O governo Lula (PT) foi decisivo para o cancelamento da paralização.

O encontro ocorreu no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista, em Santos, e contou com representantes de entidades como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores. As organizações avaliaram que, apesar do cenário de insatisfação, ainda há espaço para negociação com o governo federal.

Em entrevista à Veja, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, João Paulo Eustasia, o Paulinho do Transporte, explicou que a decisão reflete o momento de tensão, mas também de expectativa por avanços.

“A assembleia foi nacional, então gerou muita expectativa. Foi um pouco difícil, porque a categoria está com os ânimos acirrados, tendo em vista os acontecimentos. O descumprimento do piso mínimo do frete é um dos maiores problemas que temos enfrentado, e a discussão com o governo e a medida provisória publicada hoje pelo Ministério dos Transportes representam avanços reais que aconteceram”, iniciou.

O sindicalista Paulinho do Transporte. Foto: reprodução

Paulinho afirmou que essa decisão do Ministério dos Transportes, e a confirmação de uma reunão com Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, no próximo dia 25, foi os pilares da decisão de recuo.

O chamado “estado de greve”, segundo ele, funciona como um alerta. “O ‘estado de greve’ é que as pendências da pauta têm que ter desfecho ou pelo menos encaminhamento. Se não tiver, podemos remarcar a greve em uma nova assembleia. Nós não deflagramos a greve, mas permanecemos em estado de greve. Se não resolver, a categoria se reunirá novamente”, disse.

A principal queixa dos caminhoneiros segue sendo o aumento do diesel, que impacta diretamente a renda da categoria, além da dificuldade de garantir o cumprimento do valor mínimo do frete. Nos últimos dias, o tema entrou no radar do governo, que buscou evitar uma paralisação nacional.

No mesmo dia da assembleia, o governo federal publicou a Medida Provisória nº 1.343/2026, que altera regras de fiscalização do piso mínimo do frete. A iniciativa foi interpretada por lideranças como um sinal de resposta às demandas do setor.

Outra preocupação mencionada por Paulinho é a tentativa de politização do movimento. Segundo ele, há grupos que tentam incentivar uma paralisação imediata, mas a maioria dos caminhoneiros avalia com cautela os impactos econômicos de uma greve.