
O banqueiro Daniel Vorcaro demonstrou forte apreensão durante a transferência da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, realizada na noite de quinta-feira (19). A movimentação ocorreu de forma repentina e sob forte aparato de segurança, no contexto das negociações para um possível acordo de delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo relatos obtidos pelo Metrópoles, Vorcaro foi surpreendido por agentes fortemente armados e com balaclavas, sem aviso prévio sobre o momento da transferência, ficando apavorado. Apesar de já cogitar a possibilidade de mudança de unidade, ele não esperava que ocorresse à noite e de forma imediata. O banqueiro foi retirado da cela apenas com a roupa do corpo, sem levar pertences pessoais ou cartas que mantinha no local.
Durante todo o trajeto, Vorcaro permaneceu algemado e visivelmente nervoso. Em alguns momentos, chegou a questionar o destino, mas recebeu apenas a informação de que seria transferido.

O deslocamento foi feito por helicóptero da Polícia Federal, modelo AW139, conhecido como “Caçador 10”, frequentemente utilizado em operações estratégicas. Ao desembarcar, caminhou de cabeça baixa, seguindo o protocolo padrão para presos em movimentações externas.
A escolta foi conduzida por agentes do Comando de Operações Táticas (COT), unidade de elite da Polícia Federal especializada em ações de alto risco. De acordo com fontes, esta foi a primeira vez em que Vorcaro apresentou mudança perceptível de comportamento desde a prisão, demonstrando insegurança e tensão durante a operação, que durou cerca de uma hora.
A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da defesa, que indicou intenção de colaboração com as investigações. O ministro também negou a prisão domiciliar do empresário e condicionou eventual acordo de delação a critérios rigorosos.
Nos bastidores, Mendonça tem defendido que qualquer colaboração precisa ser “consistente, completa e não seletiva”, sem omissões ou tentativas de proteger envolvidos. Caso contrário, o acordo poderá ser rejeitado.
A mudança para a sede da Polícia Federal em Brasília deve facilitar a realização de depoimentos e avançar nas tratativas com investigadores e com a Procuradoria-Geral da República.