
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passou a cumprir prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília em condições diferentes das concedidas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quando esteve no mesmo local. Ao contrário do ex-mandatário, que ocupou uma sala de Estado sem grades e com estrutura diferenciada, Vorcaro está em uma cela comum, com cama, banheiro e cercada por grades.
Bolsonaro ficou detido em um espaço reservado a autoridades, equipado com armários, televisão, frigobar e banheiro privativo, conforme prevê a legislação para ex-presidentes. O local destinado ao golpista também conta com ar condicionado, que foi a causa de reclamações e denúncias de uma suposta tortura devido ao barulho do equipamento.
Já Vorcaro ocupa uma estrutura padrão da unidade, sem os mesmos privilégios, o que evidencia diferenças no tratamento conforme o perfil jurídico de cada detento.

A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da defesa, que indicou intenção de colaboração com as investigações. O ministro também negou a prisão domiciliar do empresário e condicionou eventual acordo de delação a critérios rigorosos.
O deslocamento na última quinta-feira (19) foi feito por helicóptero da Polícia Federal, modelo AW139, conhecido como “Caçador 10”, frequentemente utilizado em operações estratégicas. Ao desembarcar, caminhou de cabeça baixa, seguindo o protocolo padrão para presos em movimentações externas.
A escolta foi conduzida por agentes do Comando de Operações Táticas (COT), unidade de elite da Polícia Federal especializada em ações de alto risco. De acordo com fontes, esta foi a primeira vez em que Vorcaro apresentou mudança perceptível de comportamento desde a prisão, demonstrando insegurança e tensão durante a operação, que durou cerca de uma hora.
Nos bastidores, Mendonça tem defendido que qualquer colaboração precisa ser “consistente, completa e não seletiva”, sem omissões ou tentativas de proteger envolvidos. Caso contrário, o acordo poderá ser rejeitado.
A mudança para a sede da Polícia Federal em Brasília deve facilitar a realização de depoimentos e avançar nas tratativas com investigadores e com a Procuradoria-Geral da República.