
O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, falou sobre o impacto de uma possível nova legislação no Brasil que obrigaria a empresa a contratar seus motoristas. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirmou que a medida poderia reduzir os negócios da empresa e fazer os preços das corridas subirem em até 60%. Apesar disso, deixou claro que a empresa continuará operando no Brasil, independentemente das mudanças legais.
“Com algumas das propostas que vimos, os preços poderiam aumentar 50% ou 60%, o que reduziria substancialmente o número de motoristas que poderiam estar na plataforma. Seria péssimo para os consumidores. Mas devo dizer que estou otimista de que encontraremos um caminho melhor e quero deixar claro que vamos continuar no Brasil”, disse Khosrowshahi.
O projeto de lei 152/2025, que propõe regulamentar o trabalho por aplicativos, foi discutido por Khosrowshahi em Brasília, onde ele se encontrou com representantes do governo. A proposta inclui pagamento de remuneração mínima aos motoristas e a inclusão de benefícios como a Previdência Social, o que alteraria a relação da Uber com seus mais de dois milhões de motoristas no país.

O CEO também citou a importância do Brasil para a Uber, que é o maior mercado da empresa, superando até os Estados Unidos em número de viagens realizadas. Desde sua chegada ao país, a empresa já realizou 17 bilhões de corridas, com R$ 230 bilhões gerados para os motoristas, sendo que mais de 85% da população brasileira já utilizou o aplicativo.
“O Brasil é uma parte muito importante dos resultados que apresentamos no trimestre passado e também nos últimos anos. O Brasil tem sido uma máquina de crescimento. É o nosso maior país”, relatou. Ele disse que apoia proteções e direitos para motoristas, mas que deseja que a empresa seja reconhecida como “uma plataforma tecnológica, não um provedor de serviços de transporte”.
Khosrowshahi afirmou que a empresa “vai seguir as leis e terá uma relação construtiva com os governos”, mesmo discordando da medida. “Este é um lar permanente para nós. Achamos que esse desfecho seria um erro gigantesco. Nossos motoristas não apoiam isso. Não há razão para voltar ao trabalho por carteira assinada”, prosseguiu.
Sobre a proposta de pagamento mínimo, o CEO disse que a empresa já paga salários acima do mínimo em muitos países. Ele ainda afirmou que a flexibilidade oferecida pela Uber é a principal razão pela qual motoristas preferem trabalhar com o aplicativo, algo que poderia ser comprometido com a mudança na legislação.