
A taxa de desemprego na Argentina atingiu 7,5% no final de 2025, marcando o maior índice para um quarto trimestre desde a pandemia de Covid-19, em 2020. Esse aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), destaca a estagnação da economia argentina, agravada pela falta de recuperação no consumo e pela instabilidade do mercado de trabalho.
Os dados foram obtidos por meio da pesquisa residencial permanente, que abrangeu 31 das principais aglomerações urbanas do país, representando cerca de 30 milhões de pessoas em um total de 46,4 milhões de habitantes.
Entre as principais constatações, o Indec apontou que a taxa de informalidade no mercado de trabalho foi de 43%, afetando cerca de 5,8 milhões de trabalhadores. Esse aumento de 1 ponto percentual em relação ao último trimestre de 2024 sublinha o crescimento da informalidade no país.
Um dos fatores-chave para a elevação do desemprego foi a redução no número de empregos assalariados no setor privado, com uma queda de 3,1% que resultou na perda de 194.212 postos de trabalho.
A situação tem sido ainda mais desafiadora para os jovens, com a taxa de desemprego entre mulheres com menos de 30 anos subindo de 13,8% para 16,8% de 2024 para 2025, e entre os homens dessa faixa etária, passando de 12,5% para 16,2%.
Além disso, o estudo do mercado de trabalho aponta uma deterioração da qualidade do emprego, caracterizando um cenário de precarização estrutural. O quarto trimestre do ano, tradicionalmente marcado por uma redução no desemprego devido às contratações temporárias de fim de ano, não trouxe alívio para a Argentina em 2025.

A estagnação do consumo, refletida, por exemplo, na queda no consumo de carne vermelha per capita, que atingiu o menor nível em 20 anos, é um reflexo das dificuldades econômicas enfrentadas pela população. As maiores taxas de desemprego ocorreram nas áreas da Grande Buenos Aires (7,5%) e na região Pampeana (6,9%).
No entanto, os dados de 2025 ainda não incluem os efeitos da reforma trabalhista, aprovada em 27 de fevereiro, que impõe mudanças significativas nas regras do mercado de trabalho, como a redução das indenizações, a limitação do direito à greve e a ampliação da jornada de trabalho sem pagamento de horas extras.
O presidente Javier Milei tem defendido que a reforma trabalhista é uma medida necessária para impulsionar o crescimento das pequenas e médias empresas, promovendo a criação de empregos. Segundo ele, a flexibilidade nas regras trabalhistas facilitará as contratações e contribuirá para o crescimento do mercado de trabalho.
No entanto, economistas e analistas afirmam que o aumento do desemprego é um reflexo do programa econômico de Milei, que favorece as importações e enfraquece a proteção da indústria local. Empresas do setor têxtil e outras pequenas indústrias têm reclamado da competitividade desleal imposta pelos produtos importados, principalmente da China, que, segundo eles, está destruindo empregos locais.
A recente demissão de 920 funcionários pela Fate, tradicional fabricante de pneus, gerou grande repercussão. O fechamento da fábrica em Buenos Aires e o impacto sobre os trabalhadores foram questionados por Milei em seu discurso, quando indagou se era justo pagar um preço quatro vezes maior por pneus enquanto os trabalhadores eram dispensados.
Embora a destruição de empregos formais tenha sido significativa, o aumento de trabalhos informais tem ajudado a compensar parcialmente a perda de postos formais. De acordo com o Indec, o número de empregos por conta própria aumentou 0,2%, refletindo uma mudança no perfil do mercado de trabalho argentino.
No total, 159.501 registros de microempreendedores individuais (monotributistas) foram realizados no último ano, indicando que muitos trabalhadores demitidos buscaram alternativas no setor informal.