
A dissidência da Revolução Solidária, corrente ligada ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos no PSOL, divulgou uma carta na qual afirma que a coordenação nacional do grupo foi informada sobre a decisão de Boulos de deixar o partido e se filiar ao PT.
Segundo a carta, a mudança foi comunicada à liderança do grupo na noite anterior à divulgação, gerando um clima de surpresa e insatisfação.
De acordo com a carta, Boulos tomou a decisão entre o final de novembro e o início de dezembro de 2025. Durante esse período, o ex-candidato a presidente também teria negociado condições para que sua esposa, Natália, disputasse as eleições dentro do PT, sigla do presidente Lula.
As conversas para definir esses arranjos foram realizadas com o presidente do PT-SP, Kiko Celeguim, em uma reunião na Praia Grande, mas “pegava mal sair assim a seco” e era necessário “construir uma narrativa”.
A dissidência revela que a proposta de federação entre PSOL e PT foi articulada de forma estratégica, com o objetivo de gerar polêmica e potencialmente criar uma crise dentro do PSOL, facilitando a saída de Boulos para o PT.

A carta menciona que “não é uma operação simples porque envolve centenas de militantes e diversos parlamentares que não vêm do MTST e têm sua base social e militante referenciada no PSOL”. Segundo o grupo dissidente, “Boulos deixou o projeto de construir base social em um projeto à esquerda através do PSOL para tentar por dentro do PT ser o escolhido por Lula”.
A carta afirma que o “Boulos vai para o mais perto de Lula possível. E não é para a vaga do Catalão, conhecido garçom do Palácio da Alvorada, é para a CNB, corrente de Lula, Gleisi, mas também de Quaquá, dos Tatto e outros”.
“O grupo afirma ainda que a militância da Revolução Solidária “foi tratada como gado” e sustenta que parlamentares e pré-candidatos estão sendo pressionados a ir para o PT. E finaliza com um apelo para que militantes do partido rompam com a corrente e fiquem no Psol para “enfrentar esta crise”, finaliza a carta.
Em resposta, Guilherme Boulos disse que o grupo do PSOL ao qual pertence está discutindo seu futuro, sem qualquer decisão definida até o momento. Ele ainda afirmou que parte do PSOL “resolveu se apequenar” e, segundo ele, “revelou desespero e oportunismo” ao divulgar uma carta apócrifa.