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A rua famosa em SP que homenageia assassino e vai mudar de nome

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação um projeto de lei que propõe mudar o nome da Rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide. A mudança visa combater homenagens públicas a autores de feminicídios, em ação simbólica para corrigir erro histórico.

O nome da rua, que é transversal à Avenida Paulista, remonta ao trágico assassinato de Sophia Gomide por seu próprio pai, Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, em 20 de janeiro de 1906. Ele matou a filha em um acesso de raiva por não aprovar seu casamento com o poeta e promotor público Manuel Baptista Cepellos.

O crime aconteceu na residência da família, localizada na Rua Benjamin Constant, em São Paulo, e Gomide se suicidou em seguida. O episódio gerou repercussão na época, com a imprensa paulista descrevendo o assassinato em detalhes, incluindo a última conversa entre pai e filha antes do crime.

Jornais como “O Estado de S. Paulo” relataram o trágico momento, citando a frieza do pai, que disparou contra a filha com uma pistola Smith & Wesson. Na cobertura do incidente, termos como “obsessão fatal” e “delírio de perseguição” foram usados para justificar o ato.

A vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL), autora do projeto que propõe mudar o nome da Rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide. Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara

Por mais de 100 anos, a história foi ignorada por grande parte da população que passava pela rua, que se tornou um ponto de referência na região da Paulista, próximo ao Museu de Arte de São Paulo (MASP). No entanto, com o aumento das discussões sobre feminicídios no Brasil, a origem do nome da rua passou a ser questionada.

A plataforma “Dicionário das Ruas”, da Prefeitura de São Paulo, não fornece uma origem conclusiva para a homenagem. Embora o nome tenha sido registrado em mapas de 1897, o político foi nomeado durante sua vida, o que levanta dúvidas sobre quem realmente foi o homenageado, já que o nome do pai e do filho coincidiam.

A vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL), autora do projeto, comemorou a aprovação do projeto em primeiro turno, destacando que a mudança representa uma reparação histórica. Durante a sessão, ela afirmou que “feminicida não pode ser herói” e que, durante o mês das mulheres, o compromisso da Câmara é combater qualquer violência de gênero.

O projeto foi aprovado com 33 votos favoráveis e nenhum contrário, mas ainda precisa passar por uma segunda votação antes de ser sancionado. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) já sinalizou que sancionará a proposta, considerando que “homenagear alguém que matou uma pessoa já não é correto, ainda mais uma filha”.