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Banco de Edir Macedo opera no modelo do Master, diz revista Piauí

bispo Edir Macedo
O bispo Edir Macedo – Reprodução

Reportagem da jornalista Consuelo Dieguez, publicada na revista Piauí deste mês, aponta que o banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, vem operando com práticas semelhantes às do escândalo envolvendo o Banco Master.

Segundo a apuração, o caso do Master — que desde o ano passado abalou o mercado financeiro e os três poderes — teria encoberto uma nova crise em gestação. Trata-se do Digimais, ligado à Igreja Universal e com conexões políticas com o Republicanos. Estimativas de mercado indicam que o patrimônio líquido da instituição estaria negativo em cerca de R$ 8,5 bilhões.

Desde a revelação do escândalo do Master, investidores passaram a observar com mais atenção bancos de menor porte, devido ao risco de impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A liquidação do Master arrastou outras instituições, como o Will Bank, a corretora Reag, o banco Pleno e o Banif, além de envolver nomes ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A reportagem destaca que o Digimais adotaria estratégias semelhantes às do Master, como inflar artificialmente o valor de fundos para melhorar balanços e ampliar a emissão de CDBs, frequentemente oferecidos com taxas elevadas — chegando a 125% do CDI. Assim como no caso anterior, a garantia do FGC para depósitos de até R$ 250 mil é usada como atrativo para investidores.

Outro ponto em comum seria a distribuição desses papéis por grandes plataformas financeiras, como XP Inc. e BTG Pactual.

Daniel Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução

A matéria relata ainda suspeitas de operações fraudulentas envolvendo venda de carteiras de crédito. Um fundo de investimento teria acionado a Justiça após adquirir R$ 650 milhões em créditos consignados, dos quais cerca de 22 mil contratos — equivalentes a R$ 500 milhões — não teriam lastro. Parte desses ativos estaria ligada ao próprio Master e à Reag.

De acordo com a reportagem, o banco teria admitido inconsistências e tentado renegociar com o fundo, sem sucesso. O caso corre na Justiça em São Paulo.

Apesar de menor em escala que o escândalo do Master, o caso Digimais pode gerar forte repercussão política e econômica, sobretudo devido à influência do Republicanos no Congresso. Analistas ouvidos pela jornalista avaliam que uma eventual intervenção mais dura do Banco Central poderia ter efeitos políticos relevantes, especialmente em ano eleitoral.

A reportagem também menciona mudanças na gestão do banco, incluindo a entrada de Aldemir Bendine no comando, além de conexões com figuras políticas e do mercado financeiro.

O Digimais pode representar um novo foco de instabilidade no sistema financeiro, com potencial impacto no FGC e possíveis desdobramentos políticos — a depender das decisões do Banco Central e das articulações em torno do caso.