Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Mãe de miliciano, ex-assessora de Flávio Bolsonaro é acusada de lavar dinheiro em spa

Adriano da Níbrega, miliciano e amigo da família Bolsonaro. Foto: reprodução

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou a mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega por participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa do miliciano. A investigação aponta que Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teria utilizado empresas formais para ocultar e movimentar recursos oriundos de atividades ilícitas, incluindo o jogo do bicho. Um dos caminhos identificados pelos promotores envolve um estabelecimento inusitado: um spa de sobrancelhas.

Segundo o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a empresa S. C. da Silva Estética Pessoal foi usada para lavar dinheiro e fazer circular valores do grupo. De acordo com o Globo, a investigação concluiu que foi dessa empresa que saíram R$ 38,4 mil destinados ao Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda., controlado por Raimunda.

Para os investigadores, a movimentação reforça a suspeita de que negócios aparentemente legítimos eram utilizados para dificultar o rastreamento dos recursos.

O spa estaria ligado a Shirlei Costa da Silva, irmã de Márcio Carneiro, apontado como operador financeiro da organização. Em apenas seis meses, entre julho e dezembro de 2018, a conta da empresa movimentou R$ 1,91 milhão, sendo que R$ 1,61 milhão foi sacado em espécie, muitas vezes de forma fracionada, padrão considerado típico de lavagem de dinheiro.

Raimunda, que foi assessora do senador Flávio Bolsonaro entre 2016 e 2018, aparece como figura central no esquema, segundo o Ministério Público. A denúncia sustenta que ela e Tatiana Soares Dias utilizaram contas da pizzaria para ocultar valores. Entre 2014 e 2019, a empresa recebeu R$ 271,1 mil, dos quais R$ 160,3 mil vieram de depósitos feitos no Rio, sendo a maioria em dinheiro vivo.

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Os promotores também identificaram outras transações consideradas atípicas, como R$ 46,5 mil transferidos por uma empresa de importação e repasses diretos a Raimunda. Para o MP, essas operações demonstram que ela não atuava apenas como mãe do miliciano, mas como parte ativa de uma estrutura empresarial voltada à dissimulação de recursos.

A investigação integra a Operação Legado, deflagrada na quinta-feira (19), que cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão contra suspeitos de integrar a organização. Entre os denunciados está o deputado federal Rogério Teixeira Júnior, o Juninho do Pneu, acusado de lavagem de dinheiro por suposta aquisição de um imóvel rural ligado a Adriano da Nóbrega. Por meio de sua assessoria, o parlamentar negou ter realizado negócios com o grupo.

Segundo o Ministério Público, o esquema utilizava empresas de fachada, como bar, restaurante e depósito de bebidas, para movimentar recursos ilegais.

“Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirmou o órgão.

As apurações indicam que empresas ligadas ao grupo movimentaram cerca de R$ 8,5 milhões. O caso amplia o alcance das investigações sobre a atuação financeira da organização e reforça o uso de negócios formais para dar aparência legal a recursos de origem criminosa.