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Trump dá ultimato ao Senado e ameaça usar o ICE para monitorar aeroportos dos EUA

Passageiros fazem fila para a checagem de passaportes no aeroporto internacional de Atlanta

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou enviar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para os aeroportos do país, caso o Senado não aprove o orçamento do Departamento de Segurança Interna (DHS). Em uma publicação em sua rede social Truth Social, Trump afirmou que, se os democratas não assinarem o acordo orçamentário até o fim de semana, começará a transferir agentes para monitorar os aeroportos a partir de segunda-feira (23). A situação ocorre após um impasse orçamentário que tem afetado a segurança nos principais aeroportos dos EUA.

O projeto de orçamento do DHS foi vetado na sexta-feira (20) pelos senadores democratas, que estão exigindo mudanças nas práticas do ICE, após episódios de violência envolvendo a agência. A crise gerada pela falta de financiamento está levando a atrasos e longas filas nos aeroportos, com diversos funcionários da TSA (Administração de Segurança de Transportes) faltando ao trabalho devido à falta de pagamento. Trump, por sua vez, usou a situação para pressionar a oposição, anunciando a possível presença dos agentes do ICE para garantir a segurança aeroportuária.

O impasse orçamentário envolve demandas de mudanças nas operações do ICE, como a exigência de mandados judiciais antes de realizar incursões em residências, a identificação dos agentes durante as operações e a proibição do uso de máscaras. A senadora democrata Patty Murray criticou a atuação da agência, afirmando que a população americana não aguenta mais o controle excessivo do ICE e que é necessário reformar a agência para garantir mais transparência e responsabilidade nas operações.

Do lado republicano, o governo Trump afirmou ter aceitado algumas modificações, como o uso de câmeras corporais pelos agentes, com exceção das operações secretas. Além disso, mudanças na fiscalização civil foram propostas para limitar a atuação em locais sensíveis, como escolas, hospitais e locais de culto. O governo também demitiu a ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e colocou Tom Homan no comando das operações no estado de Minnesota, onde ocorreram os recentes incidentes envolvendo o ICE.

A ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, sugeriu uma alternativa para resolver a situação, propondo financiar apenas a Administração de Segurança de Transportes (TSA). Enquanto isso, as discussões nos bastidores para resolver a crise orçamentária continuam. O responsável pelo patrulhamento das fronteiras, Tom Homan, tem se reunido com senadores de ambos os partidos para buscar um consenso.

A paralisação no DHS e os efeitos nos aeroportos estão gerando impactos significativos nos passageiros e nas operações de segurança. Além de filas longas, a falta de funcionários tem afetado a eficiência da fiscalização, comprometendo a experiência de viagem. O governo Trump, por sua vez, aguarda que os democratas aceitem as modificações propostas para resolver a crise e evitar mais atrasos.

O impasse orçamentário e as tensões políticas em torno do ICE também refletem a polarização crescente no Congresso dos EUA. Enquanto os republicanos apoiam um controle mais rígido sobre a imigração, os democratas buscam garantir mais direitos e proteção para os cidadãos, especialmente nas operações do ICE. O desenrolar dessa disputa será crucial para o futuro da política de imigração no país.

A aprovação do orçamento do DHS continua sendo uma prioridade, com a pressão para garantir financiamento e reverter a paralisia. O Congresso entra em recesso no fim de março, e o líder republicano John Thune já alertou que a crise orçamentária pode impedir que o recesso aconteça, caso a situação não seja resolvida até lá.