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Chefiado por Murdoch, círculo de bajuladores convenceu Trump a ir à guerra contra o Irã

Rupert Murdoch e o parça Donald Trump

A decisão de Donald Trump de entrar em guerra contra o Irã foi influenciada, em parte, por pressões externas — enquanto sua própria equipe na Casa Branca adotava um tom mais cauteloso. O episódio revela como, em seu segundo mandato, os freios institucionais foram substituídos por um sinal verde para suas decisões.

Segundo reportagem da Bloomberg, entre os que pressionaram Trump em conversas privadas estavam o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o magnata da mídia Rupert Murdoch e comentaristas conservadores. O fundador da News Corp teria falado diversas vezes com Trump, incentivando uma ação contra Teerã.

Dentro do governo, porém, figuras-chave demonstraram mais cautela. Entre elas, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e a chefe de gabinete Susie Wiles. Ainda assim, poucos — ou nenhum — aconselharam diretamente o presidente a abandonar a ideia. Wiles buscou garantir que Trump entendesse suas opções, enquanto Vance levantou questionamentos sobre como um eventual conflito se desenrolaria.

A guerra, agora em sua quarta semana, tornou-se uma das decisões mais marcantes do segundo mandato de Trump. O conflito colocou os EUA à beira de uma crise internacional e doméstica, abalou alianças, elevou os custos de energia e complicou as perspectivas eleitorais dos republicanos para as eleições de meio de mandato.

Mesmo diante dessas consequências, Trump manteve sua posição e deixou claro que a decisão de encerrar a guerra cabe exclusivamente a ele. O episódio evidencia o grau de autonomia com que o presidente atua — e a escassez de resistência interna, mesmo quando rompe promessas de campanha, como a de evitar guerras no exterior.

Para o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton, hoje crítico do presidente, o perfil da equipe mudou: “No segundo mandato, ele quis assessores mais inclinados a dizer ‘sim, senhor’, em vez de questionar”.

A Casa Branca nega divisões. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que Trump estimula opiniões diversas e espera feedback honesto de seus assessores.

A decisão também gera preocupação dentro do Partido Republicano. O aumento nos preços de energia pode afetar diretamente o custo de vida e, consequentemente, o desempenho eleitoral da legenda. Pesquisas indicam que uma leve maioria dos americanos se opõe ao conflito.

Ainda assim, vozes influentes do campo conservador, como Tucker Carlson e Steve Bannon, criticaram a guerra, enquanto outros aliados, como Mark Levin e o senador Lindsey Graham, defenderam a intervenção.

Entre os membros do governo, poucos se opuseram publicamente. Um dos raros foi Joe Kent, que renunciou ao cargo alegando não poder apoiar uma guerra que, segundo ele, “não traz benefícios ao povo americano”.

Ao contrário do primeiro mandato — quando figuras como Jim Mattis e John Kelly frequentemente confrontavam Trump —, a atual estrutura parece mais alinhada ao presidente. Sob a gestão de Wiles, a estratégia tem sido permitir que Trump aja livremente, controlando apenas o entorno e os processos.