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VÍDEO – Lula reforça soberania de países latino-americanos e africanos: “Não somos mais colonizados”

Lula em evento na Colômbia. Foto: Ricardo Stuckert

O Presidente Lula (PT) reforçou neste domingo (22) o discurso feito na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac-África, em Bogotá, Colômbia, ao defender a soberania do Brasil sobre suas reservas de terras-raras diante do interesse de países ricos. Em publicação nas redes sociais, o presidente destacou que o país não pode repetir um modelo histórico de exploração baseado apenas na exportação de matérias-primas.

“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, afirmou Lula durante o evento, ao citar exemplos de países latino-americanos.

No X, o presidente reforçou a mensagem: “Minerais críticos são uma nova oportunidade para que nossos países possam crescer. Quem quiser explorar minerais críticos, que venha se instalar e produzir aqui. E gerar desenvolvimento aqui. Nós não somos mais países colonizados. Não abriremos mão de nossa soberania”.

“Estão querendo nos colonizar outra vez. É preciso que a gente levante a cabeça. Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minérios críticos, é a chance da Bolívia, é a chance da África. É a chance de a América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais. Quem quiser que venha se instalar e produzir no país”, disse Lula.

As terras-raras são um conjunto de 17 elementos químicos fundamentais para a indústria moderna, utilizados na produção de baterias, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos eletrônicos e tecnologias militares. Apesar do nome, não são necessariamente escassas, mas sua exploração exige alto custo, tecnologia avançada e cuidados ambientais.

O potencial econômico dessas reservas no Brasil é significativo. Segundo estimativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o valor das terras-raras conhecidas no país equivale a cerca de 186% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando dados de 2024 e preços internacionais. O dado reforça a importância estratégica desses recursos no cenário global.

Durante o discurso na cúpula, Lula também alertou para o risco de uma nova forma de dependência econômica. “Estão querendo nos colonizar outra vez. É preciso que a gente levante a cabeça. Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minérios críticos, é a chance da Bolívia, é a chance da África. É a chance de a América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais. Quem quiser que venha se instalar e produzir no país”, disse.

O posicionamento ocorre em meio a um contexto geopolítico mais amplo, marcado pela disputa internacional por minerais críticos. Em fevereiro, os Estados Unidos convidaram o Brasil a integrar uma coalizão voltada à mineração, refino e fornecimento desses recursos, com mecanismos como preços mínimos para garantir estabilidade ao mercado.

Ainda não há uma decisão oficial do governo brasileiro sobre a adesão à iniciativa. Segundo interlocutores, o Planalto avalia aspectos técnicos e estratégicos antes de tomar qualquer posicionamento. A proposta faz parte de um movimento dos Estados Unidos para reduzir a dependência global da China, que atualmente domina o refino desses minerais.