
A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) identificou ao menos 145 postagens patrocinadas nas redes sociais com críticas à sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. O levantamento foi feito pela equipe da parlamentar e aponta que os conteúdos foram impulsionados por políticos ligados ao bolsonarismo.
Segundo o relatório, obtido pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, as publicações pagas circularam principalmente no Instagram e no Facebook e começaram a aparecer ainda antes da votação, quando o nome da deputada passou a ser cogitado para comandar o colegiado.
Entre os responsáveis pelos impulsionamentos aparecem as deputadas Júlia Zanatta (PL-SC), Carla Dickson (União-RN) e Geovania Sá (PSDB-SC), além dos senadores Margareth Buzetti (PP-MT) e Jorge Seif (PL-SC). O material analisado indica que os anúncios tiveram grande alcance nas plataformas.

De acordo com o levantamento, os conteúdos patrocinados somaram cerca de R$ 15,3 mil e atingiram aproximadamente 2,2 milhões de pessoas. As postagens tinham críticas à escolha de Erika para a presidência da comissão e questionavam sua atuação no cargo.
Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher em 11 de março, após enfrentar resistência de partidos do Centrão e da direita, que tentaram articular sua derrota na disputa interna.
Depois da eleição, a deputada também foi alvo de declarações consideradas transfóbicas feitas pelo apresentador Ratinho em programa de televisão. Ele questionou o fato de a comissão ser comandada por uma mulher trans, e o caso foi levado ao Ministério Público de São Paulo.
Na semana seguinte, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) pintou o rosto e parte do corpo de marrom, prática conhecida como “black face”, durante sessão na Assembleia Legislativa paulista (Alesp) para reclamar da escolha de Erika para o cargo.