
A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, de 37 anos, morta na madrugada desta segunda-feira (23), no bairro Caratoíra, na capital do Espírito Santo, pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, construiu uma trajetória marcada pela atuação na segurança pública e pela presença em cargos de liderança.
Ela foi a primeira mulher a assumir o comando da corporação em mais de duas décadas de existência da instituição e se tornou uma das principais referências locais na área. Formada em Pedagogia, Dayse ingressou na Guarda Municipal em 2013, após aprovação em concurso público.
Desde então, passou por diferentes funções operacionais e administrativas até chegar ao posto de comandante. Antes de assumir o cargo, atuou em patrulhamento, abordagens e atividades de rotina da corporação, participando diretamente das ações de segurança na capital capixaba.
A atuação da comandante também foi reconhecida por órgãos públicos do estado. Em 2021, ela foi homenageada na Assembleia Legislativa do Espírito Santo durante o Dia Estadual da Profissional de Segurança no Combate à Violência contra a Mulher, data que destaca o trabalho de agentes envolvidos na proteção de vítimas e no enfrentamento à violência doméstica.
Mãe de uma menina de 8 anos, Dayse relatou em entrevista concedida em 2024 que conciliava a rotina intensa da segurança pública com a vida familiar. “Nos meus intervalos, deixo minha filha na escola e, muitas vezes, nem faço horário de almoço. Tenho que fazer as atividades de casa com ela, preparar aquele lanchinho com amor e carinho. Eu até trago a Marina para o ambiente de trabalho. Mostro que ela pode ser o que quiser”, afirmou.

Na mesma ocasião, a comandante comentou sobre os desafios de ocupar cargos de liderança em um ambiente majoritariamente masculino. “ O ambiente de segurança pública é masculino e o de liderança, ainda mais. Muitas vezes me vejo a única mulher em uma mesa com outros homens. Mas isso não me impede nem me limita. É uma conquista diária”, declarou.
Natural de Vitória, Dayse cresceu no bairro Santo Antônio e afirmou que a escolha pela carreira na segurança pública representou uma mudança em relação à formação acadêmica. “Confesso que é uma função exaustiva e desgastante, na maioria das vezes. Mas é por acreditar que estou mais acertando do que errando que sigo firme nessa missão que recebi. Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória”, disse.
Ela também ressaltava que a função exigia dedicação constante e disponibilidade para situações imprevistas. “Apenas ‘estou’ comandante, amanhã ou depois, estarei na rua de novo fazendo tudo isso. Sou preparada para isso. A Guarda é um aprendizado diário, não tem rotina. Eu posso programar todo meu dia amanhã, mas por fazer parte da segurança pública e acontecer adversidades é o ‘normal”, afirmou ao descrever o trabalho na corporação.
A comandante defendia a presença feminina na segurança pública e dizia esperar que outras mulheres ocupassem cargos de chefia. “Ser uma mulher no comando é uma vitória para todas nós, mas acredito que devemos celebrar também as vitórias das lutas diárias que, muitas vezes, não são reconhecidas, mas elas existem a todo instante”, declarou.