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Castro renuncia ao governo do RJ para tentar se manter elegível

O bolsonarista Cláudio Castro. Foto: Charles Sholl/Folhapress

Cláudio Castro (PL) anunciou nesta segunda-feira (23) que renuncia ao cargo de governador do Rio de Janeiro, às vésperas da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode cassar seu mandato e torná-lo inelegível. A saída foi confirmada durante cerimônia no Palácio Guanabara e a carta de renúncia, segundo ele, seria entregue “a qualquer momento” na Assembleia Legislativa (Alerj).

Ao justificar a decisão, Castro afirmou que pretende disputar uma vaga no Senado em 2026. “Como todos sabem, saio para ser pré-candidato ao Senado”, declarou.

Ele também destacou sua trajetória no governo e o desempenho nas pesquisas. “Eu saio com a cabeça completamente erguida. Saio com a minha maior aprovaçã, saio, segundo as pesquisas de opinião, liderando todas as pesquisas para o Senado. Mas, acima de tudo, saio extremamente grato a Deus”.

Durante o discurso de despedida, o agora ex-governador enumerou ações de sua gestão, especialmente na área de segurança pública. “Temos desafios? Temos, é claro. Nós não resolvemos tudo. Mas consegui ser, em 2022, alguém que saiu de um desconhecimento quase de 90% para uma das maiores votações, senão a maior, com quase 5 bilhões de votos e quase 60% dos votos válidos do Rio de Janeiro. Saio feliz”, afirmou.

Ele também comparou sua atuação à de seu antecessor: “Eu tive um antecessor que não valorizou a cadeira de governador que desde o primeiro dia pensava em ser presidente vivi intensamente esses seis anos com orgulho de ser governador. Com a certeza que essa cadeira foi o ápice, foi o topo da minha carreira”.

A renúncia ocorre em meio à crise política provocada pelo julgamento no TSE, que já registra dois votos a zero pela cassação por abuso de poder econômico e político no caso Ceperj. A análise será retomada nesta terça-feira (24), com cinco ministros ainda pendentes de voto. Mesmo fora do cargo, Castro ainda pode ser declarado inelegível.

Com a saída, o Rio de Janeiro entra em situação de dupla vacância, já que o estado está sem vice-governador. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assume interinamente e terá até 48 horas para convocar eleição indireta na Alerj. O novo governador será escolhido pelos 70 deputados estaduais e cumprirá mandato até o fim de 2026.

Segundo a Globo, a antecipação da renúncia é vista como reflexo do pessimismo de aliados em relação ao julgamento no TSE nos bastidores. Caso fosse cassado no cargo, haveria risco de convocação de eleição direta, reduzindo a influência política de Castro na escolha do sucessor.

A estratégia também pode ser usada pela defesa para questionar a continuidade do processo, embora especialistas apontem que isso não impede eventual inelegibilidade.