
O jornalista Fabrício Marta, que trabalhou no jornalismo da Globo por 30 anos, fez coro com os colegas Ari Peixoto e Neide Duarte nas críticas ao PowerPoint exibido na última sexta-feira (20) no “Estúdio i”, da GloboNews.
Em seu perfil no Instagram, Marta debochou:
“Contrato profissionais de PowerPoint da GloboNews para fazer meus cartões de visita. Aqui em casa já tem barbante colorido, tesoura, cartolina colorida, cola branca, hidrocor e giz de cera. Preciso mesmo é do know-how. Vai ter lanche, se a direção aprovar!”
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Lava Jato 2.0
Na tarde de sexta-feira (20), a GloboNews exibiu um PowerPoint “explicativo” sobre o escândalo do Banco Master que causou espanto pela distorção dos fatos.
O diagrama, que tinha como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro, tentou ligar o caso a nomes da esquerda e do governo, como Jaques Wagner, Guido Mantega e o “PT da Bahia”, sem incluir figuras com conexões diretas com o escândalo, como Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ibaneis Rocha (MDB), Roberto Campos Neto, Rueda e outros nomes do centrão.
A apresentação da GloboNews omitiu o PL e deixou de citar figuras como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados do ex-presidente que receberam recursos de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro.
Já o nome de Ciro Nogueira (PP-PI), um dos senadores mais próximos de Vorcaro, apareceu de forma discreta, sem menção ao partido e à ligação com o banqueiro. Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, foi incluído como “próximo” de Vorcaro, enquanto Roberto Campos Neto, seu antecessor, não apareceu.
O PowerPoint também não mencionou a relação da própria Globo com Vorcaro. O banqueiro patrocinou um evento do grupo em Nova York e foi o principal orador da ocasião, quando chamou integrantes da empresa de “amigos”, entre eles o organizador Fred Kachar.
Nesta segunda-feira (23), a emissora pediu desculpas pela exibição do material. A retratação foi feita pela apresentadora Andréia Sadi durante o programa “Estúdio i”, que afirmou que o conteúdo exibido estava “errado e incompleto” e também “não deixou claro o critério usado para as informações”.