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Os bastidores da renúncia de Cláudio Castro e a manobra para tentar adiar julgamento

Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro. Foto: reprodução

O bolsonarista Cláudio Castro (PL) viveu horas decisivas antes de renunciar ao governo do Rio de Janeiro, na última segunda-feira (23), em meio a tentativas de adiar o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode torná-lo inelegível. Segundo o Globo, pessoas próximas relataram que o então governador chegou a avaliar cancelar o evento de despedida enquanto buscava uma última estratégia para postergar a análise do caso Ceperj, que começa nesta terça-feira (24).

A principal aposta de Castro era conseguir um novo pedido de vista no TSE, o que atrasaria a conclusão do julgamento e poderia permitir sua participação nas eleições deste ano, mesmo diante de uma eventual condenação. O processo já conta com dois votos pela cassação e inelegibilidade, após decisões da relatora, ministra Isabel Gallotti, e do ministro Antonio Carlos Ferreira.

O ministro Kassio Nunes Marques, no entanto, alinhou com a presidente da Corte, Cármen Lúcia, a retomada do julgamento em prazo reduzido, frustrando a estratégia.

Sem sinalizações positivas de novos adiamentos, Castro foi aconselhado por aliados a seguir com a renúncia. A saída antecipada é vista como uma tentativa de esvaziar parte dos efeitos do julgamento, já que não há mais mandato a ser cassado. Ainda assim, a inelegibilidade pode ser decretada. Aliados acreditam que a mudança de cenário pode fortalecer a defesa do ex-governador na tentativa de manter sua pré-candidatura ao Senado.

Enquanto articulava no TSE, Castro também promoveu mudanças de última hora no governo estadual, de olho na eleição indireta que escolherá seu sucessor para o chamado mandato-tampão até 2026. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assume interinamente e terá prazo para convocar o pleito na Assembleia Legislativa (Alerj).

Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro. Foto: reprodução

Entre as decisões tomadas, Castro articulou a saída do chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, com o objetivo de viabilizar sua participação na eleição indireta. O ex-governador também publicou decreto transferindo poderes do Executivo ao secretário da Casa Civil, movimento interpretado como tentativa de manter influência sobre a máquina estadual durante a transição.

A disputa pelo governo-tampão envolve diferentes grupos políticos e depende de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux determinou prazo de desincompatibilização de seis meses para candidatos e estabeleceu voto secreto na eleição indireta, o que aumenta a imprevisibilidade do resultado. Há expectativa, no entanto, de possível revisão dessas regras.

Além do grupo de Castro, outros nomes se movimentam nos bastidores, como aliados do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, e forças ligadas ao ex-prefeito Eduardo Paes. A definição do novo governador deve ocorrer em até 30 dias, em meio a um cenário de incerteza jurídica e intensa disputa política.