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PF investiga omissão de Campos Neto no caso Master

Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC. Foto: reprodução

A Polícia Federal investiga o papel de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, nos processos que autorizaram a venda e a reestruturação de ativos ligados ao Banco Master. O foco do inquérito é apurar se a autoridade monetária tinha conhecimento das irregularidades envolvendo a instituição e agiu com omissão sobre o caso.

Segundo Paulo Cappelli, do Metrópoles, os agentes também buscam esclarecer se Campos Neto foi deliberadamente enganado por um grupo de diretores que teria recorrido a práticas como falsificação de assinaturas e adulteração de documentos para ocultar a real situação financeira do banco controlado por Daniel Vorcaro.

Outra linha de apuração considera a hipótese de que o ex-presidente do Banco Central teria ciência dos problemas e, ainda assim, autorizado as transações.

As evidências reunidas até o momento indicam a existência de um esquema altamente sofisticado, estruturado para resistir a auditorias tradicionais e driblar os mecanismos de controle do sistema financeiro nacional. A complexidade da engenharia financeira utilizada levanta a suspeita de que a fraude só teria sido possível com a atuação coordenada de agentes dos setores público e privado.

Paulo Guedes, Jair Bolsonaro e Campos Neto. Foto: reprodução

De acordo com os investigadores, essa rede de influência pode ter garantido que inconsistências contábeis relevantes fossem ignoradas ou encobertas durante o processo de aprovação das operações. A suspeita é de que irregularidades tenham sido apresentadas sob uma aparência formal de legalidade, dificultando a identificação de falhas pelos órgãos de controle.

Campos Neto foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para comandar o Banco Central entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2024. Agora, a atuação dele no período volta ao centro das atenções com o avanço das apurações envolvendo o Banco Master.

Atualmente, a Polícia Federal concentra esforços no cruzamento de dados de comunicações internas e na perícia de documentos digitais. O objetivo é reconstruir o fluxo de decisões dentro da cúpula do Banco Central e entender como os mecanismos de compliance, considerados robustos, não conseguiram detectar as possíveis irregularidades.