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A irritação de aliados de Flávio após reunião de Michelle com Moraes

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

A ida de Michelle Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar da possível prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) provocou reação negativa entre aliados do ex-presidente e expôs uma disputa interna no bolsonarismo. A ex-primeira-dama se reuniu sozinha com o ministro Alexandre de Moraes, sem a presença de advogados ou integrantes da defesa, o que foi interpretado como mais uma tentativa de protagonismo político.

No encontro, realizado no gabinete do ministro em Brasília, Michelle apresentou argumentos relacionados à saúde do ex-presidente. Segundo Mônica Bérgamo, da Folha, ela teria destacado que Bolsonaro não pode permanecer sozinho durante a noite devido ao risco de broncoaspiração. Moraes a recebeu acompanhado de sua chefe de gabinete, Cristina Gomes, e deve decidir nos próximos dias se autoriza a transferência para prisão domiciliar.

A iniciativa gerou incômodo entre aliados, que diferenciam a atuação de Michelle da de Flávio Bolsonaro. O senador, além de filho, é advogado e integra formalmente a defesa do pai, tendo participado de audiência com Moraes acompanhado de outros advogados, o que conferiu caráter institucional ao encontro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favorável ao pedido, aumentando a expectativa por uma decisão positiva.

Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão no processo da trama golpista e estava detido na Papuda antes de ser transferido para um hospital após passar mal. Ele deixou a UTI na segunda-feira (23), o que reacendeu o debate sobre seu estado de saúde e as condições de cumprimento da pena.

Flávio Bolsonaro. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Paralelamente, o avanço das investigações sobre o Banco Master e o desgaste político do entorno do governador Ibaneis Rocha no Distrito Federal ampliaram o espaço de Michelle dentro do grupo bolsonarista. Com a perda de um dos principais eixos de articulação local, parlamentares passaram a recorrer diretamente à ex-primeira-dama, que passou a influenciar decisões sobre candidaturas para 2026.

O movimento a colocou em rota de colisão com Flávio Bolsonaro, que vinha conduzindo a estratégia nacional do grupo. No DF, a divergência ficou evidente na formação de chapas: Michelle defende uma composição com seu nome e o da deputada Bia Kicis para o Senado, além de apoiar Celina Leão ao governo local.

“A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente”, afirmou a deputada Bia Kicis.

Já aliados de Flávio defendem o nome do senador Izalci Lucas como alternativa de centro-direita, proposta rejeitada pelo grupo ligado à ex-primeira-dama.

“Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora”, disse a senadora Damares Alves.