Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Apoio de Flávio Bolsonaro ao PL da Misoginia vira alvo de críticas de aliados

senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falando e gesticulando no plenário do Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – Reprodução

O apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo gerou reação entre aliados políticos ligados ao bolsonarismo. A proposta foi aprovada por unanimidade no Senado nesta terça-feira (25) e ainda será analisada pela Câmara dos Deputados.

O texto recebeu votos favoráveis também de parlamentares da oposição, como Damares Alves (Republicanos-DF). A iniciativa prevê mudanças no Código Penal e amplia punições para ofensas contra mulheres motivadas por gênero.

Após a votação, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeo nas redes sociais com críticas à aprovação do projeto. Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, ele afirmou: “Estou extremamente decepcionado com o nosso Senado. Afinal de contas, ninguém se opôs a isso e viu o real perigo do que estava acontecendo”.

Na mesma declaração, Nikolas disse que “muitos, inclusive da própria direita, estão em um berço infantil da guerra cultural” e afirmou que não há justificativa para não ter havido resistência à proposta no Senado.

Entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, parlamentares e influenciadores passaram a cobrar explicações sobre o voto favorável do senador. Parte desse grupo afirma que o projeto pode gerar interpretações ligadas à censura, argumento citado por deputados que atuam para barrar a proposta na Câmara.

O blogueiro Paulo Figueiredo afirmou que Flávio Bolsonaro deve ser questionado sobre sua posição. “Não conversei com o Flávio para saber o que se passou na mente dele pra votar favoravelmente por essa abominação da ‘misogenia’. Tudo que eu ouvi até agora torna totalmente injustificável, mas gostaria muito de ouvi-lo antes de emitir uma opinião definitiva. Ao eleitor, cabe cobrá-lo”, declarou.

A deputada Julia Zanatta (PL-SC) também criticou o conteúdo do projeto, mas evitou se posicionar contra o apoio do senador. Ela afirmou que Flávio Bolsonaro assinou recurso que levou o texto ao plenário e mencionou que a proposta poderia ter sido encerrada na Comissão de Constituição e Justiça.

O projeto altera o enquadramento jurídico das ofensas contra mulheres, que atualmente são tratadas como injúria. Pela nova regra, a conduta passa a ter pena de reclusão de dois a cinco anos e multa. Ainda não há previsão para a análise da proposta pela Câmara dos Deputados.