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Delação de Vorcaro pode travar se ele não devolver bilhões desviados; entenda

Daniel Vorcaro dando entrada na prisão. Foto: reprodução

A possibilidade de um acordo de delação envolvendo Daniel Vorcaro enfrenta dificuldades nas negociações com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. O principal entrave está nos valores exigidos para pagamento de multas e devolução de recursos desviados, que podem alcançar cifras bilionárias. Com informações de Mônica Bergamo, da Folha.

Estimativas indicam que operações ligadas à venda de carteiras ao Banco Regional de Brasília (BRB) teriam gerado impacto de cerca de R$ 12,2 bilhões. Há avaliações que apontam valores ainda maiores, podendo chegar a R$ 60 bilhões. Para avançar no acordo, o ex-banqueiro precisaria apresentar capacidade de pagamento compatível com essas exigências.

Advogados e interlocutores relatam que acordos de delação costumam avançar na fase de colaboração, mas enfrentam obstáculos quando chegam ao momento financeiro. Um profissional afirmou que colocar dinheiro no acordo são “outros quinhentos”, enquanto outro resumiu o impasse: “o Estado quer cobrar mais e os condenados, desembolsar menos dinheiro”.

Casos anteriores seguiram dinâmica semelhante. Negociações envolvendo Odebrecht, Andrade Gutierrez e J&F travaram quando se discutiram valores. Marcelo Odebrecht pagou multa de R$ 73,3 milhões, além de outros valores cobrados posteriormente. Já os irmãos Joesley e Wesley Batista negociaram a redução de R$ 2 bilhões para R$ 1 bilhão. Parte das multas dessas empresas foi suspensa pelo STF em 2023.

Fachada do Banco. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

No caso de Vorcaro, há uma diferença relevante: a possível responsabilização direta sobre recursos pessoais. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, e avaliações indicam que ele teria que arcar individualmente com os custos. Um advogado afirmou que “ele não pode ficar com o fruto do crime”, enquanto outro disse que o investigado terá que “chorar sangue para colocar o dinheiro para dentro” do acordo.

A negociação também depende da definição final dos valores pelas autoridades e da capacidade de pagamento apresentada. Há ainda a possibilidade de ajuste nas condições caso a colaboração envolva informações de maior alcance. Caso não haja consenso, o acordo pode não ser firmado. “Se as autoridades cobrarem algo que ele não pode pagar, não haverá acordo. Ele não é maluco”, afirmou um empresário que já participou de delações.