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Militares dos EUA participaram de operação com tortura no Equador, diz New York Times

Manchete do New York Times. Foto: Divulgação

Uma reportagem do New York Times trouxe à tona acusações graves envolvendo a participação de militares dos Estados Unidos em uma operação no Equador marcada por práticas de tortura contra civis.

A ação — que já havia gerado controvérsia por atingir uma fazenda leiteira confundida com um suposto campo de narcoterrorismo — incluiu abusos físicos e psicológicos contra trabalhadores rurais.

O gerente da fazenda, de 32 anos, afirmou que os soldados exigiam informações sobre “depósitos escondidos”, apesar de suas reiteradas explicações de que o local era apenas uma propriedade agrícola. Trabalhadores disseram que foram interrogados sobre pessoas que desconheciam.

De acordo com os relatos, um funcionário de 66 anos foi liberado, mas os demais — homens entre 20 e 30 anos — foram espancados. Um deles afirmou ter desmaiado duas vezes após ser mergulhado de cabeça em um barril de água enquanto era ameaçado de afogamento.

Pessoas caminhando pelos restos da fazenda leiteira. Foto: Divulgação

Na sequência, quatro trabalhadores foram colocados em um helicóptero, enquanto soldados atearam fogo em casas, galpões e na estrutura de produção de queijo da fazenda, destruindo grande parte das instalações. Moradores que chegaram ao local após perceberem a movimentação confirmaram a destruição.

Imagens gravadas por um residente indicam que militares equatorianos dispararam tiros na direção de um líder comunitário que tentava se aproximar para pedir explicações.

Os trabalhadores relataram ainda que foram levados a uma base militar a cerca de 20 minutos dali, onde teriam sido submetidos a novas sessões de tortura — incluindo estrangulamento com as próprias roupas e choques com armas de eletrochoque.

As denúncias levantam questionamentos legais sérios. Pela chamada Leahy Law — parte da Lei de Assistência Externa dos EUA — é proibido ao governo americano apoiar ou atuar ao lado de unidades estrangeiras envolvidas em violações graves de direitos humanos, como tortura, caso não haja responsabilização efetiva dos envolvidos.