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Ter otimismo e um propósito de vida pode aumentar a longevidade, diz ciência

Mãos de homem idoso. Foto: Reprodução

A saúde mental desempenha um papel crucial na longevidade, com estudos indicando que características como o otimismo e ter um propósito de vida podem beneficiar a saúde à medida que envelhecemos. Nan Niland, uma dentista aposentada de 72 anos, exemplifica isso. Após se aposentar, ela sentiu falta de um propósito e encontrou na prática do voluntariado a motivação necessária.

Nan dedica 15 horas semanais à organização Welcome Home, que ajuda famílias em situação de vulnerabilidade social. Ela contou à repórter Dana G. Smith, do New York Times, que a atividade foi essencial para manter sua saúde mental e bem-estar.

A sensação de relevância é outra característica importante para a longevidade. Quando uma pessoa sente que tem algo a oferecer aos outros, ela tende a manter vínculos sociais e cuidar de si mesma. Linda Fried, médica que atuou como geriatra, percebeu que muitos de seus pacientes estavam fisicamente debilitados por não terem um propósito.

Ela passou a recomendar o envolvimento em trabalho voluntário, o que levou a melhorias no nível de atividade física, no desempenho cognitivo e na percepção de impacto social.

Além do voluntariado, outras formas de fortalecer o senso de pertencimento, como frequentar locais como cafeterias ou parques para cães, também podem ajudar a combater a solidão, especialmente na aposentadoria.

Idosa passei com cachorro. Foto: Reprodução

A sensação de ser valorizado é um fator crucial para manter a saúde mental, pois protege contra a sensação de irrelevância e promove comportamentos saudáveis que impactam diretamente na longevidade.

O otimismo também está ligado a uma vida mais longa e saudável. Estudos mostraram que mulheres com mais de 50 anos e níveis mais altos de otimismo viveram, em média, 5% mais e tiveram maior chance de alcançar os 90 anos.

Pessoas com uma visão positiva do envelhecimento tendem a manter suas capacidades físicas e cognitivas ao longo do tempo e a seguir melhor as recomendações médicas. Além disso, o otimismo ajuda a reduzir o estresse, diminuindo os níveis de cortisol e inflamação no corpo.

Envelhecer pode ser desafiador, especialmente quando lidamos com perdas, doenças ou novas responsabilidades, mas o otimismo não significa ignorar as dificuldades. A psicóloga Deepika Chopra afirma que o otimismo é sobre resiliência: a capacidade de encarar contratempos como temporários e acreditar na própria capacidade de superá-los.

Chopra sugere que cultivar um olhar positivo envolve ter algo pelo que esperar todos os dias, como uma conversa com um amigo ou uma caminhada, o que pode treinar o cérebro a esperar coisas boas no futuro.

A prática de manter uma perspectiva positiva do envelhecimento pode transformar nossa maneira de lidar com os desafios que surgem com o tempo. Um exemplo disso é o avô de Chopra, Madan Syal, que, aos 100 anos, encara o envelhecimento de forma positiva, jogando cartas diariamente com sua esposa e com um objetivo claro: completar um século de vida.

Esse tipo de visão do envelhecimento, segundo ela, é um reflexo de uma mentalidade saudável que impacta diretamente na longevidade.