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A desculpa furada de Romário à crítica de Casagrande sobre seu “trabalho” no Senado

Romário e Walter Casagrande. Foto: Reprodução

O senador licenciado Romário resolveu responder à crítica — absolutamente pertinente — de Walter Casagrande Júnior com uma nota que diz mais sobre o problema do que sobre a solução.

Casagrande não atacou Romário. Fez uma pergunta simples e incômoda: por que ninguém cobra do senador explicações sobre sua atuação política? Por que, nas entrevistas, o assunto se resume a futebol, eventos e celebridades, enquanto o mandato fica fora de campo?

A resposta veio no tom padrão: burocracia, legalidade e autopromoção. Romário informou que está licenciado do Senado por 121 dias — algo previsto e, de fato, legal. Disse também que não recebe salário nesse período e que o suplente assume suas funções.

Tudo correto. E tudo irrelevante para o ponto central.

A crítica não era jurídica. Era política.

Casagrande questionou o vazio de cobrança sobre um parlamentar que, mesmo eleito, circula em eventos esportivos, jogos festivos e compromissos ligados ao futebol sem ser confrontado sobre o país que deveria ajudar a governar. A legalidade da licença não responde a isso — apenas desvia.

Romário, por sua vez, preferiu recorrer ao argumento de autoridade: sua trajetória no futebol justificaria os convites e sua presença nesses espaços. Como se o passado de craque substituísse a responsabilidade de senador.

No fim, partiu para o ataque pessoal — chamando Casagrande de “meia boca” e desqualificando sua opinião por nunca ter disputado eleição. Um recurso clássico: quando falta argumento, sobra agressão.

Mas o ponto continua de pé, intacto.

Romário pode estar licenciado. Pode estar dentro da lei. Pode não gastar dinheiro público. Nada disso responde à pergunta essencial levantada por Casagrande: onde está o senador quando o assunto é o Brasil?

E, principalmente, por que quase ninguém pergunta?

Leia a nota de Romário:

“Em resposta às declarações infundadas feitas pelo ex-jogador Walter Casagrande, esclarecemos que o senador Romário (PL-RJ) encontra-se licenciado do Senado por 121 dias, conforme previsto regimentalmente.

Cabe destacar, que durante a licença não há recebimento de remuneração por parte do senador Romário, sendo transferido ao suplente o exercício pleno do cargo, com todas as atribuições inerentes à função.

Causa estranheza que sejam feitas críticas ao senador sem conhecimento básico do funcionamento do poder Legislativo. A licença do mandato e a posse do suplente durante esse período é um instrumento legal, transparente e amplamente utilizado, que garante a continuidade do trabalho legislativo sem qualquer prejuízo.

É a primeira vez, em 11 anos de eleito ao Senado, que Romário tira essa modalidade de licença do cargo. Mesmo licenciado, ele mantém sua atuação pública e institucional e acompanha as pautas relevantes em tramitação no Congresso Nacional.

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Tetracampeão mundial com a Seleção Brasileira e eleito melhor jogador do mundo pela FIFA, é natural que o senador receba convites para participar de atividades, encontros e agendas institucionais ligadas ao futebol no Brasil e em âmbito internacional.

Sobre a fala equivocada do ex- jogador Walter Casagrande, Romário acrescenta que é preciso entender minimamente sobre política para poder falar sobre sua atuação parlamentar.

“Graças à minha trajetória no futebol, tenho a sorte de poder contribuir em agendas ligadas ao esporte no Brasil e no mundo. A minha licença do Senado foi solicitada com transparência, dentro da lei, com respeito ao meu mandato e sem gastar um centavo de dinheiro público. Já o Casagrande, é um cara que nunca ganhou nada de importante, foi um jogador meia boca e tá sempre mostrando que não entende nada de futebol e, muito menos, de política. Nunca disputou uma eleição nem recebeu um voto. Ele calado é mais do que um poeta, é um filósofo”.